A descoberta de Eris criou uma crise de identidade no Sistema Solar e ajudou a tirar Plutão da lista oficial de planetas
A identificação de um mundo distante semelhante a Plutão desencadeou o debate que redefiniu os planetas em 2006 e mudou a classificação do Sistema Solar
Em janeiro de 2005, astrônomos anunciaram a descoberta de um mundo distante que parecia rivalizar com Plutão em tamanho. Eris colocou em dúvida o significado da palavra planeta e desencadeou um debate que mudaria os livros de astronomia. Em 24 de agosto de 2006, a União Astronômica Internacional estabeleceu uma nova definição, deixando o Sistema Solar com oito planetas. Plutão não desapareceu nem perdeu importância científica, mas passou a integrar uma categoria diferente.
Como a descoberta de Eris colocou Plutão em dúvida?
Eris foi identificado em 5 de janeiro de 2005, por Mike Brown, Chad Trujillo e David Rabinowitz, a partir de imagens obtidas em 21 de outubro de 2003 pelo Observatório Palomar, nos Estados Unidos. Inicialmente designado 2003 UB313, o objeto recebeu informalmente o apelido de Xena.
Na época, estimativas indicavam que Eris poderia ser maior que Plutão, considerado o nono planeta desde 1930. Surgiu então uma pergunta difícil: se Plutão era planeta, por que um objeto semelhante não receberia a mesma classificação? A descoberta revelou que o problema ultrapassava um único corpo celeste.
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Por que Eris parecia ter condições de ser o décimo planeta?
Eris possui aproximadamente 2.326 quilômetros de diâmetro, valor próximo dos 2.377 quilômetros de Plutão. Embora seja ligeiramente menor, tem massa superior. Sua superfície extremamente fria contém gelos voláteis, incluindo metano, e reflete grande parte da luz solar recebida.
As características que alimentaram o debate incluem:
- Dimensões comparáveis às de Plutão;
- Massa aproximadamente 27% maior;
- Órbita muito distante e alongada;
- Satélite natural chamado Disnomia;
- Superfície rica em materiais congelados.
Neste vídeo do Smithsonian, o astrônomo Mike Brown explica a descoberta de Eris e a controvérsia envolvendo Plutão.
O que aconteceu na reunião astronômica de agosto de 2006?
A União Astronômica Internacional reuniu especialistas em Praga, na República Tcheca, para estabelecer critérios científicos de classificação. Uma proposta inicial, apresentada em 16 de agosto, poderia ampliar para 12 o número de planetas reconhecidos, incluindo Eris e outros corpos.
Após intensos debates, uma definição diferente foi aprovada em 24 de agosto. Para receber a classificação de planeta, um objeto deveria orbitar o Sol, possuir gravidade suficiente para adquirir formato aproximadamente esférico e dominar gravitacionalmente sua vizinhança orbital. O terceiro requisito alterou o destino de Plutão.
Por que Plutão deixou de ser planeta enquanto Eris também foi reclassificado?
Segundo a resolução oficial aprovada pela União Astronômica Internacional, os planetas precisam apresentar domínio gravitacional sobre a região de suas órbitas. Isso não significa eliminar todos os pequenos objetos próximos, mas exercer influência suficiente para controlar sua vizinhança orbital ao longo do tempo.
Plutão e Eris não cumprem esse requisito. Ambos compartilham suas regiões orbitais com populações de pequenos corpos transnetunianos. Assim, foram classificados como planetas anões, categoria que também incluiu Ceres, localizado no cinturão de asteroides. A decisão modificou sua classificação, não suas propriedades físicas.

Quais diferenças existem entre Eris e Plutão atualmente?
Eris percorre uma órbita muito mais extensa, levando aproximadamente 557 anos terrestres para completar uma volta ao redor do Sol. Sua distância varia enormemente durante esse percurso. Plutão, por sua vez, completa uma órbita em cerca de 248 anos.
Os dois mundos também possuem satélites naturais e superfícies congeladas, mas apresentam trajetórias e características físicas distintas. As medições posteriores à descoberta mostraram que o tamanho inicialmente atribuído a Eris havia sido superestimado.
Por que a definição de planeta ainda provoca discussões científicas?
A decisão de 2006 permanece em vigor, mas não encerrou todas as controvérsias. Alguns pesquisadores defendem classificações baseadas principalmente nas propriedades geofísicas, como formato, estrutura interna e atividade geológica, independentemente do domínio orbital.
Outros consideram a influência gravitacional um critério essencial para distinguir grandes planetas de corpos pertencentes a populações mais numerosas. A descoberta de Eris tornou essa divergência inevitável. Mais do que retirar Plutão de uma lista, ela mostrou que novas observações podem exigir mudanças nas categorias utilizadas para compreender o Sistema Solar.
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