A colossal transferência de riqueza dos Baby Boomers pode movimentar US$ 84 trilhões e mudar a economia global até 2045

24.06.2026

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A colossal transferência de riqueza dos Baby Boomers pode movimentar US$ 84 trilhões e mudar a economia global até 2045

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7 minutos de leitura 22.06.2026 03:23 comentários
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A colossal transferência de riqueza dos Baby Boomers pode movimentar US$ 84 trilhões e mudar a economia global até 2045

A passagem desse patrimônio para novas gerações deve transformar investimentos, consumo, moradia e negócios

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A colossal transferência de riqueza dos Baby Boomers pode movimentar US$ 84 trilhões e mudar a economia global até 2045
A transferência de patrimônio deverá alcançar diferentes gerações até 2048

A maior redistribuição patrimonial já projetada nos Estados Unidos não acontecerá de uma só vez, mas por meio de heranças, doações e transferências entre cônjuges ao longo de décadas. Uma estimativa da Cerulli Associates apontou que US$ 84,4 trilhões poderiam mudar de mãos até 2045, alterando a relação das famílias com imóveis, investimentos e planejamento sucessório.

Por que a riqueza acumulada pelos Baby Boomers alcançou uma dimensão tão grande?

Nascidos entre 1946 e 1964, os Baby Boomers atravessaram décadas marcadas pela valorização de imóveis, expansão do mercado acionário, crescimento dos planos de aposentadoria e maior acesso à propriedade nos Estados Unidos. Esse conjunto ajudou parte da geração a formar patrimônios elevados, compostos por casas, empresas, ações, títulos, fundos e reservas financeiras.

A concentração não ocorreu de maneira uniforme. Famílias de alta e altíssima renda acumulam uma parcela desproporcional do patrimônio que será transferido, enquanto milhões de pessoas da mesma geração possuem poucos ativos ou ainda dependem da renda da aposentadoria. Portanto, a chamada grande transferência de riqueza não significa que todos os herdeiros receberão fortunas.

Quanto os Baby Boomers podem transferir até 2045?

A projeção publicada pela Cerulli Associates em janeiro de 2022 estimou que US$ 84,4 trilhões seriam transferidos nos Estados Unidos até 2045. Desse montante, US$ 72,6 trilhões seguiriam para herdeiros e aproximadamente US$ 11,9 trilhões seriam destinados a instituições beneficentes. A soma apresenta uma pequena diferença por causa dos arredondamentos divulgados pela consultoria.

Mais de US$ 53 trilhões teriam origem em famílias dos Baby Boomers, o equivalente a 63% de todo o volume previsto no levantamento. A Geração Silenciosa e grupos ainda mais velhos responderiam por US$ 15,8 trilhões, com uma parte relevante dessa movimentação concentrada nos primeiros anos do período analisado.

  • US$ 84,4 trilhões em transferências totais projetadas até 2045
  • US$ 72,6 trilhões destinados aos herdeiros
  • US$ 11,9 trilhões direcionados a instituições beneficentes
  • Mais de US$ 53 trilhões provenientes de famílias dos Baby Boomers

Para ampliar a discussão, o canal Yahoo Finance, que conta com mais de 1,5 milhão de inscritos no YouTube, apresenta o vídeo “How the Great Wealth Transfer can be problematic”. O material explica como a transferência estimada em trilhões de dólares pode alcançar a Geração X e os Millennials, além de discutir desigualdade, expectativas de herança e possíveis obstáculos para as famílias, alinhado ao tema tratado acima:

Como essa transferência de riqueza acontecerá na prática?

O dinheiro não será simplesmente depositado de uma vez nas contas das gerações mais jovens. O processo ocorrerá por heranças após falecimentos, doações realizadas ainda em vida, repasses para cônjuges, transferência de empresas familiares, venda de imóveis e mudança de titularidade de carteiras de investimento. Parte dos ativos também seguirá para fundações, universidades e organizações filantrópicas.

A própria Cerulli destacou que reuniões familiares e comunicação regular eram consideradas a estratégia mais eficaz para organizar esse processo por 81% das práticas de gestão patrimonial consultadas. A educação dos herdeiros apareceu em seguida, reforçando que receber ativos não garante automaticamente a preservação do patrimônio.

Leia também: A história da Ilha Sentinela do Norte, onde uma tribo isolada enfrenta qualquer aproximação com flechas e lanças

Como os Baby Boomers podem mudar os mercados imobiliário e financeiro?

A sucessão poderá modificar a composição de carteiras e aumentar a circulação de imóveis, ações, participações empresariais e recursos mantidos em fundos. Entretanto, não é correto tratar os US$ 84,4 trilhões como dinheiro novo criado para a economia. Grande parte corresponde a ativos que já existem e apenas passará para novos proprietários.

Área afetada Possível movimentação Efeito esperado
Mercado imobiliário Herança, ocupação ou venda de residências Maior oferta em algumas regiões e recursos para novas compras
Fundos de investimento Resgates, migrações e novas aplicações Disputa entre gestoras para manter os herdeiros como clientes
Ações e títulos Reorganização das carteiras recebidas Mudança na procura por ativos tradicionais e alternativos
Empresas familiares Sucessão, venda ou divisão das participações Alteração de controle e de estratégia empresarial
Filantropia Doações estimadas em US$ 11,9 trilhões Expansão patrimonial de instituições beneficentes
Gestão patrimonial Troca de assessores e instituições financeiras Novos produtos voltados à Geração X e aos Millennials

A Merrill observa que imóveis continuam relevantes para diferentes gerações. Recursos herdados podem permitir que parte dos Millennials compre a primeira residência, troque de imóvel ou adquira uma segunda propriedade, embora o efeito dependa da localização, da oferta e das escolhas de cada família.

Por que a Geração X e os Millennials podem investir esse patrimônio de outra forma?

Os novos proprietários dos ativos não são obrigados a manter as decisões tomadas por seus pais. Ao receber ações, imóveis ou participações em fundos, um herdeiro pode vender parte da carteira, reduzir a exposição a determinados setores ou direcionar o dinheiro para tecnologia, empresas privadas, ativos digitais e investimentos ligados a critérios ambientais.

Uma pesquisa citada pela Merrill mostrou diferenças importantes entre investidores jovens e mais velhos. Entre os entrevistados de 21 a 43 anos, 72% acreditavam que ações e títulos tradicionais, sozinhos, já não seriam suficientes para buscar retornos acima da média, diante de 28% entre os participantes com 44 anos ou mais.

  • Reorganizar carteiras herdadas conforme novos objetivos financeiros
  • Usar parte dos recursos para comprar imóveis ou abrir empresas
  • Ampliar a procura por fundos alternativos e investimentos privados
  • Direcionar capital para projetos sustentáveis ou causas sociais

Essa mudança poderá pressionar bancos, corretoras e gestoras a adaptar serviços, linguagem e produtos. A Cerulli já alertava que instituições incapazes de estabelecer relações com os herdeiros poderiam perder os recursos administrados quando o controle do patrimônio mudasse de geração.

Heranças, imóveis e investimentos formarão a maior parte das transferências
Heranças, imóveis e investimentos formarão a maior parte das transferências

Os US$ 84,4 trilhões ainda representam a projeção mais atual?

O valor de US$ 84,4 trilhões continua sendo uma referência importante, mas corresponde ao estudo divulgado em 20 de janeiro de 2022, com horizonte até 2045. Em dezembro de 2024, a Cerulli Associates atualizou sua projeção para US$ 124 trilhões em transferências até 2048. A nova estimativa prevê US$ 105 trilhões para herdeiros, US$ 18 trilhões para instituições beneficentes e quase US$ 100 trilhões originados nos Baby Boomers e em gerações mais velhas.

O número maior não significa que todos os jovens ficarão ricos nem que US$ 124 trilhões entrarão imediatamente em circulação. Mais da metade do volume atualizado, cerca de US$ 62 trilhões, deverá partir de famílias de alta e altíssima renda, que representam apenas 2% dos lares. A transformação econômica poderá ser profunda, mas também será concentrada, desigual e dependente das decisões de uma parcela relativamente pequena da população.

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