A colossal transferência de riqueza dos Baby Boomers pode movimentar US$ 84 trilhões e mudar a economia global até 2045
A passagem desse patrimônio para novas gerações deve transformar investimentos, consumo, moradia e negócios
A maior redistribuição patrimonial já projetada nos Estados Unidos não acontecerá de uma só vez, mas por meio de heranças, doações e transferências entre cônjuges ao longo de décadas. Uma estimativa da Cerulli Associates apontou que US$ 84,4 trilhões poderiam mudar de mãos até 2045, alterando a relação das famílias com imóveis, investimentos e planejamento sucessório.
Por que a riqueza acumulada pelos Baby Boomers alcançou uma dimensão tão grande?
Nascidos entre 1946 e 1964, os Baby Boomers atravessaram décadas marcadas pela valorização de imóveis, expansão do mercado acionário, crescimento dos planos de aposentadoria e maior acesso à propriedade nos Estados Unidos. Esse conjunto ajudou parte da geração a formar patrimônios elevados, compostos por casas, empresas, ações, títulos, fundos e reservas financeiras.
A concentração não ocorreu de maneira uniforme. Famílias de alta e altíssima renda acumulam uma parcela desproporcional do patrimônio que será transferido, enquanto milhões de pessoas da mesma geração possuem poucos ativos ou ainda dependem da renda da aposentadoria. Portanto, a chamada grande transferência de riqueza não significa que todos os herdeiros receberão fortunas.
Quanto os Baby Boomers podem transferir até 2045?
A projeção publicada pela Cerulli Associates em janeiro de 2022 estimou que US$ 84,4 trilhões seriam transferidos nos Estados Unidos até 2045. Desse montante, US$ 72,6 trilhões seguiriam para herdeiros e aproximadamente US$ 11,9 trilhões seriam destinados a instituições beneficentes. A soma apresenta uma pequena diferença por causa dos arredondamentos divulgados pela consultoria.
Mais de US$ 53 trilhões teriam origem em famílias dos Baby Boomers, o equivalente a 63% de todo o volume previsto no levantamento. A Geração Silenciosa e grupos ainda mais velhos responderiam por US$ 15,8 trilhões, com uma parte relevante dessa movimentação concentrada nos primeiros anos do período analisado.
- US$ 84,4 trilhões em transferências totais projetadas até 2045
- US$ 72,6 trilhões destinados aos herdeiros
- US$ 11,9 trilhões direcionados a instituições beneficentes
- Mais de US$ 53 trilhões provenientes de famílias dos Baby Boomers
Para ampliar a discussão, o canal Yahoo Finance, que conta com mais de 1,5 milhão de inscritos no YouTube, apresenta o vídeo “How the Great Wealth Transfer can be problematic”. O material explica como a transferência estimada em trilhões de dólares pode alcançar a Geração X e os Millennials, além de discutir desigualdade, expectativas de herança e possíveis obstáculos para as famílias, alinhado ao tema tratado acima:
Como essa transferência de riqueza acontecerá na prática?
O dinheiro não será simplesmente depositado de uma vez nas contas das gerações mais jovens. O processo ocorrerá por heranças após falecimentos, doações realizadas ainda em vida, repasses para cônjuges, transferência de empresas familiares, venda de imóveis e mudança de titularidade de carteiras de investimento. Parte dos ativos também seguirá para fundações, universidades e organizações filantrópicas.
A própria Cerulli destacou que reuniões familiares e comunicação regular eram consideradas a estratégia mais eficaz para organizar esse processo por 81% das práticas de gestão patrimonial consultadas. A educação dos herdeiros apareceu em seguida, reforçando que receber ativos não garante automaticamente a preservação do patrimônio.
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Como os Baby Boomers podem mudar os mercados imobiliário e financeiro?
A sucessão poderá modificar a composição de carteiras e aumentar a circulação de imóveis, ações, participações empresariais e recursos mantidos em fundos. Entretanto, não é correto tratar os US$ 84,4 trilhões como dinheiro novo criado para a economia. Grande parte corresponde a ativos que já existem e apenas passará para novos proprietários.
A Merrill observa que imóveis continuam relevantes para diferentes gerações. Recursos herdados podem permitir que parte dos Millennials compre a primeira residência, troque de imóvel ou adquira uma segunda propriedade, embora o efeito dependa da localização, da oferta e das escolhas de cada família.
Por que a Geração X e os Millennials podem investir esse patrimônio de outra forma?
Os novos proprietários dos ativos não são obrigados a manter as decisões tomadas por seus pais. Ao receber ações, imóveis ou participações em fundos, um herdeiro pode vender parte da carteira, reduzir a exposição a determinados setores ou direcionar o dinheiro para tecnologia, empresas privadas, ativos digitais e investimentos ligados a critérios ambientais.
Uma pesquisa citada pela Merrill mostrou diferenças importantes entre investidores jovens e mais velhos. Entre os entrevistados de 21 a 43 anos, 72% acreditavam que ações e títulos tradicionais, sozinhos, já não seriam suficientes para buscar retornos acima da média, diante de 28% entre os participantes com 44 anos ou mais.
- Reorganizar carteiras herdadas conforme novos objetivos financeiros
- Usar parte dos recursos para comprar imóveis ou abrir empresas
- Ampliar a procura por fundos alternativos e investimentos privados
- Direcionar capital para projetos sustentáveis ou causas sociais
Essa mudança poderá pressionar bancos, corretoras e gestoras a adaptar serviços, linguagem e produtos. A Cerulli já alertava que instituições incapazes de estabelecer relações com os herdeiros poderiam perder os recursos administrados quando o controle do patrimônio mudasse de geração.

Os US$ 84,4 trilhões ainda representam a projeção mais atual?
O valor de US$ 84,4 trilhões continua sendo uma referência importante, mas corresponde ao estudo divulgado em 20 de janeiro de 2022, com horizonte até 2045. Em dezembro de 2024, a Cerulli Associates atualizou sua projeção para US$ 124 trilhões em transferências até 2048. A nova estimativa prevê US$ 105 trilhões para herdeiros, US$ 18 trilhões para instituições beneficentes e quase US$ 100 trilhões originados nos Baby Boomers e em gerações mais velhas.
O número maior não significa que todos os jovens ficarão ricos nem que US$ 124 trilhões entrarão imediatamente em circulação. Mais da metade do volume atualizado, cerca de US$ 62 trilhões, deverá partir de famílias de alta e altíssima renda, que representam apenas 2% dos lares. A transformação econômica poderá ser profunda, mas também será concentrada, desigual e dependente das decisões de uma parcela relativamente pequena da população.
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