A cidade onde enormes torres de adobe cercam ruas que preservam uma arquitetura de séculos
As casas altas de terra de Shibam mostram como uma cidade do deserto desenvolveu uma das formas mais antigas de urbanismo vertical
No vale de Hadramaut, no Iêmen, uma cidade murada reúne casas tão altas e próximas que sua silhueta lembra um conjunto de arranha-céus erguido no deserto. Shibam preserva um dos exemplos mais antigos de urbanismo vertical, com edifícios construídos principalmente em tijolos de terra seca ao sol e uma organização urbana consolidada a partir do século XVI.
Por que Shibam foi construída com casas tão altas?
A cidade ocupa um esporão rochoso acima do leito do Wadi Hadramaut e desenvolveu-se dentro de uma muralha, em uma malha compacta de ruas e praças. Como o espaço protegido era limitado, construir verticalmente permitia acomodar famílias e atividades sem espalhar excessivamente a ocupação sobre as terras agrícolas ao redor.
A concentração das moradias também possuía função defensiva. Segundo a UNESCO, a organização densa refletia a necessidade de proteção diante de conflitos entre famílias e ameaças externas, além de demonstrar o prestígio econômico e político alcançado por comerciantes ligados às antigas rotas de especiarias e incenso.
Como as torres de Shibam conseguem permanecer de pé usando terra?
As paredes são feitas principalmente de tijolos de barro não queimados, secos ao sol e combinados com técnicas tradicionais de construção. As bases precisam suportar grandes cargas, enquanto os pavimentos superiores podem utilizar paredes progressivamente mais leves, permitindo que algumas casas alcancem vários andares sem estruturas modernas de aço ou concreto.
O material exige manutenção constante porque a água representa um de seus maiores inimigos. Revestimentos de terra precisam ser renovados, especialmente nas áreas mais expostas, para impedir que chuva e umidade desgastem as paredes. Essa conservação contínua faz parte da própria sobrevivência dos edifícios.
- Os tijolos são produzidos com terra e secos ao sol.
- As casas tradicionais possuem vários pavimentos.
- As construções ficam extremamente próximas umas das outras.
- A manutenção dos revestimentos protege as paredes da chuva.
- A técnica utiliza materiais disponíveis no próprio vale.
Este documentário mostra a arquitetura vertical de Shibam e suas grandes torres construídas com terra.
Quantos andares podem ter os edifícios de Shibam?
A UNESCO descreve o núcleo histórico como formado por casas-torre que normalmente alcançam até sete pavimentos. Documentos recentes relacionados à conservação do patrimônio também registram construções que podem chegar a aproximadamente 11 andares, uma escala excepcional para edifícios tradicionais feitos de terra.
Essa verticalidade explica o apelido frequentemente associado ao lugar, “Manhattan do deserto”. A comparação é moderna, mas ajuda a visualizar a aparência incomum de centenas de construções altas comprimidas dentro de uma pequena área murada, muito antes da criação dos arranha-céus contemporâneos.
A arquitetura da cidade realmente permaneceu intocada durante séculos?
Não completamente. A aparência histórica permanece extraordinariamente preservada, mas Shibam passou por reconstruções, reparos e mudanças ao longo do tempo. Uma grande enchente destruiu parcialmente um assentamento anterior em 1532 e 1533, e grande parte da forma urbana atualmente reconhecida consolidou-se posteriormente.
Enchentes posteriores também causaram danos, incluindo episódios graves em 2008. Atualmente, conflitos, chuvas intensas, mudanças climáticas, sistemas de drenagem e novas construções representam riscos para a conservação. Por isso, preservar Shibam significa continuar restaurando seus edifícios com técnicas compatíveis com a arquitetura tradicional.

O que os números revelam sobre Shibam?
A história do assentamento é anterior ao período islâmico, embora muitos dos elementos urbanos preservados estejam associados principalmente aos séculos XVI a XIX. A mesquita de sexta-feira possui partes datadas aproximadamente dos séculos IX e X, enquanto o castelo tem origem no século XIII.
A cidade antiga foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1982. Sua relevância não está apenas na idade dos edifícios, mas na sobrevivência conjunta das técnicas construtivas, do traçado urbano, da muralha e da relação com o sistema agrícola do vale.
| SHIBAM ATRAVÉS DOS SÉCULOS | |
|---|---|
| Origem do assentamento | Período pré-islâmico |
| Castelo | Origem no século XIII |
| Forma urbana predominante | A partir do século XVI |
| Patrimônio Mundial | Desde 1982 |
Por que Shibam é tão importante para a história das cidades?
Shibam demonstra que a construção vertical não surgiu com estruturas metálicas, elevadores e fachadas de vidro. Séculos antes dos arranha-céus modernos, seus habitantes já utilizavam edifícios altos como resposta à disponibilidade de espaço, à necessidade de defesa e à preservação das áreas agrícolas próximas.
A UNESCO considera Shibam um dos exemplos mais antigos e bem preservados de planejamento urbano baseado na construção em altura. O valor do lugar está justamente na combinação entre arquitetura de terra, ruas compactas, muralhas e uma paisagem agrícola que ajuda a explicar por que essa cidade assumiu uma aparência tão singular.
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