A cidade antiga que construiu um sistema de esgoto e abastecimento de água tão avançado que surpreendeu arqueólogos milhares de anos depois
Centenas de poços, áreas de banho e canais de drenagem revelam o extraordinário planejamento hidráulico de uma cidade da Idade do Bronze
Há cerca de 4.500 anos, enquanto muitas comunidades ainda dependiam de soluções simples para obter e descartar água, os habitantes de Mohenjo-daro construíram uma cidade com centenas de poços, áreas de banho e uma extensa rede de drenagem em tijolos. Localizada no atual Paquistão, ela pertenceu à Civilização do Vale do Indo e revelou aos arqueólogos um nível de planejamento urbano extraordinário para a Idade do Bronze.
Por que Mohenjo-daro era tão avançada para sua época?
Mohenjo-daro floresceu principalmente durante o terceiro milênio a.C. e foi organizada com ruas que se cruzavam de maneira regular, bairros construídos com tijolos cozidos e estruturas destinadas ao gerenciamento da água. A UNESCO destaca poços, banhos, fossas de infiltração e um elaborado sistema de drenagem entre os elementos mais importantes encontrados no sítio.
A descoberta arqueológica começou a ganhar destaque em 1922 e alterou a compreensão sobre o grau de urbanização alcançado pela Civilização do Indo. Apenas cerca de um terço da área arqueológica de aproximadamente 240 hectares foi escavado, o que significa que uma parte importante da cidade ainda permanece sob o solo.
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Como funcionava o sistema de água de Mohenjo-daro?
A água era obtida principalmente por numerosos poços construídos dentro da área urbana. Um estudo clássico sobre abastecimento e descarte de efluentes contabilizou mais de 700 poços, usados para atender residências, espaços de banho particulares e instalações maiores, como o famoso Grande Banho.
Depois do uso, a água podia seguir por pequenos canais domésticos até drenos maiores nas ruas. Pesquisas de engenharia sugerem que parte importante dessa rede servia especialmente para remover águas residuais de cômodos pavimentados próximos aos poços, embora arqueólogos ainda discutam quanto desse sistema funcionava propriamente como esgoto no sentido moderno.
- Mais de 700 poços já foram documentados.
- Diversas casas possuíam áreas destinadas ao banho.
- Drenos de tijolos conduziam líquidos para fora dos imóveis.
- Fossas e estruturas de sedimentação ajudavam no descarte.
- Grandes canais percorriam diferentes setores urbanos.
Este vídeo apresenta Mohenjo-daro e mostra seus poços, ruas, banhos e sistema de drenagem preservado.
O que os arqueólogos encontraram no sistema de Mohenjo-daro?
Em várias residências, foram identificados pisos impermeabilizados ou cuidadosamente pavimentados associados a pontos de drenagem. A disposição desses espaços indica que lavar o corpo e utilizar água dentro das casas fazia parte da infraestrutura urbana, e não apenas de estruturas reservadas às elites ou aos espaços públicos.
Os drenos de rua eram construídos com tijolos e, em determinados trechos, recebiam coberturas que permitiam acesso para inspeção ou limpeza. O registro da UNESCO sobre Mohenjo-daro destaca justamente o planejamento urbano, os poços e a drenagem como evidências da organização cívica alcançada pela cidade.
Era realmente um sistema de esgoto semelhante ao atual?
Não exatamente. Embora seja comum chamar a rede de “esgoto”, pesquisadores alertam que não existe certeza de que todos os canais transportassem dejetos humanos. Uma análise publicada em 2014 lembra que a presença de drenos nas ruas é indiscutível, mas sua eficiência e o conteúdo exato conduzido por eles permanecem parcialmente debatidos.
Estudos de engenharia sugerem que grande parte da água descartada podia vir de banhos e atividades domésticas. Portanto, a comparação com redes modernas deve ser feita com cuidado. O surpreendente está na existência de um sistema integrado de abastecimento, uso e drenagem em uma cidade construída aproximadamente dois milênios antes dos grandes sistemas hidráulicos romanos.

Que números revelam a dimensão de Mohenjo-daro?
A cidade pertenceu ao auge da Civilização do Indo, aproximadamente entre 2500 e 1500 a.C., segundo a UNESCO. Suas ruínas ocupam cerca de 240 hectares, e centenas de poços demonstram que o acesso à água era distribuído por diferentes setores urbanos, em vez de depender de uma única fonte central.
A quantidade de instalações hidráulicas ajuda a explicar por que Mohenjo-daro continua sendo referência em estudos sobre saneamento antigo. Mais importante que um número isolado é a repetição do mesmo padrão por ruas e residências, indicando planejamento sistemático.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Período principal | 3º milênio a.C. |
| Poços documentados | Mais de 700 |
| Área arqueológica | Cerca de 240 hectares |
| Escavação realizada | Aproximadamente um terço do sítio |
Por que Mohenjo-daro mudou a visão sobre as cidades antigas?
A descoberta mostrou que planejamento urbano sofisticado não era exclusividade do Egito ou da Mesopotâmia. A Civilização do Indo também dominava técnicas de construção em tijolo, distribuição de água, organização de ruas e remoção de efluentes em uma escala urbana notável.
Mohenjo-daro permanece especialmente importante porque sua infraestrutura revela preocupação cotidiana com água e higiene dentro das próprias residências. Milhares de anos depois, aquilo que mais surpreende não é apenas um grande monumento, mas uma cidade inteira planejada para fazer a água chegar, ser utilizada e depois sair de forma organizada.
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