A casa coreana sem pregos nem parafusos que resiste a tremores, conversa com o clima e dura gerações com madeira pura
Encaixes invisíveis, telhado curvo e papel de arroz criam um Hanok resistente, sustentável e cheio de sabedoria ancestral
Uma simples tora de madeira, alguns instrumentos manuais e muita técnica: é assim que nasce um Hanok, a casa tradicional coreana que parece saída de um filme histórico, mas continua viva em plena era dos arranha-céus. Nessa construção, cada movimento dos carpinteiros transforma matéria-prima bruta em uma casa planejada para durar gerações, dialogar com o clima e manter viva uma cultura milenar.
Como começa a construção de um Hanok tradicional?
O ponto de partida de um Hanok é o solo. Os artesãos fazem escavações rasas, preenchidas com camadas de cascalho bem compactado, o que garante estabilidade em terrenos irregulares e reduz problemas de desnível e umidade ao longo do tempo.
Com o terreno estabilizado, a obra avança em ritmo organizado, sempre considerando sol, vento e temperatura. Desde o início, o Hanok é pensado como abrigo, espaço de convivência e extensão harmoniosa da paisagem ao redor.
Qual é o papel da madeira na estrutura do Hanok?
A seleção da madeira é decisiva. Os carpinteiros escolhem toras de alta qualidade, avaliando textura, fibras e resistência natural, já destinando cada peça para funções específicas, como colunas, vigas ou travessas de reforço.
Após a escolha, começa o corte e o encaixe, com junções calculadas para dispensar pregos e parafusos. Formas octogonais e quadradas distribuem o peso e suportam esforços distintos, criando um “esqueleto vivo” capaz de acompanhar movimentos do solo e mudanças climáticas.
Confira o vídeo do canal Process K com detalhes da construção:
O que torna o telhado e os ambientes internos singulares?
O telhado curvo é uma das marcas visuais do Hanok. Ele se apoia em suportes em arco dimensionados para sustentar telhas de cerâmica “kiwa”, que conduzem bem a água da chuva e criam a silhueta suave típica da arquitetura coreana.
Nos interiores, materiais naturais como bambu e papel de arroz atuam como isolamento térmico e filtro de luz. Portas deslizantes, divisórias móveis e lanternas de papel geram ambientes versáteis, sempre articulados a um pátio central aberto.
Como funcionam os encaixes de madeira sem pregos?
Os encaixes de madeira são o grande segredo da carpintaria coreana. Cada junta é desenhada para travar a outra por pressão e geometria, fazendo com que colunas e vigas se sustentem mutuamente e reduzam pontos frágeis na estrutura.
Alguns elementos técnicos se destacam nesse sistema de junções, mostrando como a engenharia tradicional se integra à prática artesanal:
Geometria precisa
Alinhamento rigoroso de vigas e colunas com métodos de marcação que garantem simetria, encaixe perfeito e distribuição eficiente de cargas.
Juntas triangulares
Travessas empilhadas em formato triangular aumentam significativamente a resistência estrutural e reduzem torções no conjunto.
Pressão mecânica
Peças adicionais comprimem encaixes opostos, criando travamentos firmes e duráveis sem necessidade de pregos ou conectores metálicos.
Adaptação sísmica
Cantos internos levemente inclinados ajudam a dissipar forças em caso de tremores, reduzindo concentração de tensão na estrutura.
Por que o Hanok é referência em sustentabilidade e tradição?
O Hanok organiza seus espaços em torno de um pátio que favorece ventilação cruzada e uso eficiente da luz natural. A combinação de madeira, bambu, papel e cerâmica reduz dependência de materiais industriais e facilita reparos pontuais.
Essa arquitetura é vista como modelo de construção sustentável e preservação cultural, unindo técnica ancestral, baixo impacto ambiental e transmissão de saberes entre gerações.
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