A 1.770 metros de profundidade, existe um “lago” de 10 mil m² no fundo do mar, sem oxigênio e com micróbios vivendo no limite do que parece habitável
A salmoura densa cria uma superfície própria em plena escuridão submarina
No fundo do Golfo de Aqaba, no Mar Vermelho, existe uma piscina natural de salmoura tão densa que forma uma superfície separada da água ao redor. O sistema foi encontrado a 1.770 metros de profundidade e a piscina principal cobre cerca de 10 mil m². A salinidade extrema e a quase ausência de oxigênio criam condições nas quais poucos organismos conseguem sobreviver.
Como pode existir um “lago” dentro do fundo do mar?
A formação é uma piscina de salmoura, uma massa de água muito mais salgada e densa que a água marinha ao redor. O estudo publicado na Communications Earth & Environment descreve a piscina principal como uma estrutura de 260 metros de comprimento, 70 metros de largura e 10 mil m² de área.
A diferença de densidade cria uma interface visível. Mesmo estando no fundo do oceano, a salmoura se comporta como uma massa de água separada, daí a aparência de um lago dentro do mar.

O que torna esse ambiente tão extremo?
A água da piscina tem salinidade muito superior à do Mar Vermelho e perde praticamente todo o oxigênio poucos centímetros abaixo da interface. O estudo mediu salinidade de cerca de 160 unidades práticas de salinidade na salmoura, contra aproximadamente 40 na água ao redor.
Que tipo de vida consegue sobreviver ali?
As bordas das piscinas abrigam comunidades microbianas adaptadas a condições extremas. Um registro científico da King Abdullah University of Science and Technology destaca que esses ambientes hipersalinos são conhecidos por micróbios extremófilos.
Esses organismos interessam aos pesquisadores porque mostram até onde a vida consegue funcionar em condições de salinidade elevada e pouco oxigênio.
- Micróbios extremófilos: toleram condições que impedem a sobrevivência de muitos organismos.
- Interface química: separa a água comum da salmoura muito mais densa.
- Ausência de fauna escavadora: ajuda a preservar o sedimento sem grandes perturbações.
- Condições estáveis: criam um arquivo natural de eventos antigos.

Por que o fundo dessa piscina preserva mais de mil anos de história?
A falta de oxigênio impede que grandes animais revolvam o sedimento. Por isso, camadas muito finas podem permanecer preservadas. O estudo conseguiu reconstruir uma sequência sedimentar de pelo menos 1.200 anos.
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O que essa descoberta ajuda a estudar?
As piscinas de salmoura funcionam como laboratórios naturais para microbiologia, geologia e estudos sobre ambientes extremos. Elas também preservam sinais de terremotos, deslizamentos e enchentes que afetaram a região ao longo dos séculos.
O resultado é um ambiente que parece hostil à vida, mas guarda ao mesmo tempo micróbios adaptados e um registro geológico excepcionalmente detalhado.
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