A 1.280 metros de profundidade, um peixe sem ossos usa pontos no rosto para perceber campos elétricos no escuro
Órgãos sensoriais na cabeça detectam sinais elétricos produzidos por outros animais e ajudam esses peixes cartilaginosos a encontrar alimento
A cerca de 1.280 metros abaixo da superfície, onde a luz solar já desapareceu, câmeras de exploração registraram um peixe de aparência incomum deslizando sobre o fundo marinho. As quimeras não possuem um esqueleto ósseo como a maioria dos peixes: sua sustentação é formada principalmente por cartilagem. Os pequenos pontos e linhas visíveis na região frontal da cabeça também não são simples marcas. Parte deles corresponde a órgãos capazes de detectar campos elétricos extremamente fracos produzidos por outros organismos, oferecendo uma ferramenta valiosa para localizar alimento na escuridão.
Por que as quimeras conseguem viver em águas tão profundas?
Quimeras pertencem à classe Chondrichthyes, a mesma grande linhagem que inclui tubarões e raias. Elas se separaram evolutivamente dos ancestrais dos tubarões há centenas de milhões de anos e apresentam características próprias, como a mandíbula superior fundida ao crânio e placas dentárias permanentes em vez das fileiras de dentes substituíveis típicas de muitos tubarões.
Muitas espécies vivem em águas profundas, onde as condições são radicalmente diferentes das encontradas perto da superfície. O registro apresentado pela NOAA mostra uma quimera encontrada a aproximadamente 4.200 pés, equivalentes a cerca de 1.280 metros. Nessa profundidade, ela está dentro da zona oceânica em que praticamente não há luz solar disponível.
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O que são os pontos no rosto das quimeras?
As estruturas pontilhadas próximas da boca incluem as chamadas ampolas de Lorenzini, eletroreceptores capazes de perceber pequenas perturbações nos campos elétricos ao redor do animal. Organismos vivos produzem sinais elétricos extremamente fracos devido à atividade de músculos, nervos e outros processos fisiológicos, e esses sinais podem ser detectados a curta distância.
Isso dá às quimeras uma forma adicional de perceber o ambiente mesmo quando a visão oferece pouca informação. A NOAA destaca diretamente que os órgãos sensoriais encontrados na cabeça ajudam esses peixes a localizar suas presas em águas profundas. Eles trabalham juntamente com outros sistemas sensoriais, e não como uma espécie de visão elétrica completa.
- Esqueleto formado principalmente por cartilagem.
- Eletroreceptores concentrados na região da cabeça.
- Capacidade de detectar sinais elétricos muito fracos.
- Linhas laterais também percebem movimentos e ondas de pressão.
- Vida associada a ambientes profundos e pouco iluminados.
Este vídeo oficial do Ocean Today, ligado à NOAA, mostra uma quimera registrada a cerca de 1.280 metros e explica seus eletroreceptores.
Como a eletrorrecepção ajuda a encontrar presas no escuro?
Todo organismo com atividade muscular e nervosa produz pequenas diferenças elétricas. Em ambientes claros, um predador pode combinar visão, olfato e movimento para localizar alimento. Nas profundezas, porém, detectar sinais que não dependem de luz oferece uma vantagem adicional, principalmente quando a presa está parcialmente escondida ou difícil de distinguir visualmente.
Os eletroreceptores não precisam captar uma descarga forte como a de uma enguia elétrica. Eles respondem a campos muito mais fracos produzidos naturalmente pelos tecidos vivos. Esse mecanismo também existe em tubarões e raias, parentes próximos das quimeras, e faz parte de uma antiga especialização sensorial dos peixes cartilaginosos.
As linhas da cabeça detectam eletricidade da mesma maneira?
Não. A aparência da cabeça reúne sistemas sensoriais diferentes. Enquanto as linhas pontilhadas próximas à boca correspondem às ampolas de Lorenzini associadas à eletrorrecepção, outras linhas visíveis fazem parte do sistema de linha lateral, especializado em detectar deslocamentos da água e ondas de pressão.
Essa combinação fornece informações complementares. Uma alteração na água pode denunciar movimento, enquanto um campo elétrico fraco pode indicar a presença de um organismo vivo. A NOAA Ocean Exploration detalha esses dois sistemas em uma quimera registrada durante uma expedição em águas profundas.

O que os números revelam sobre as quimeras observadas no oceano profundo?
O exemplo de 1.280 metros tornou-se especialmente didático porque foi usado pela NOAA para mostrar simultaneamente a profundidade extrema, o esqueleto cartilaginoso e os eletroreceptores. Outros registros comprovam que integrantes do grupo podem aparecer ainda mais fundo: uma quimera foi filmada a 1.735 metros durante uma expedição da NOAA em 2022.
Essas observações também mostram por que veículos operados remotamente são importantes para estudar animais que raramente podem ser acompanhados diretamente por mergulhadores.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Profundidade do vídeo da NOAA | Cerca de 1.280 m |
| Esqueleto | Principalmente cartilaginoso |
| Pontos na cabeça | Eletroreceptores |
| Outro registro da NOAA | 1.735 m em 2022 |
Por que estudar esse sistema sensorial é importante?
A eletrorrecepção mostra que enxergar não é a única maneira de localizar outro animal. Nas profundezas oceânicas, onde a iluminação é mínima ou inexistente, diferentes sentidos podem substituir ou complementar informações normalmente fornecidas pela visão. As quimeras oferecem um exemplo particularmente claro dessa adaptação.
Elas também ajudam a compreender a evolução dos peixes cartilaginosos. Apesar de serem parentes de tubarões e raias, seguiram uma trajetória própria por centenas de milhões de anos. Encontrá-las com veículos submarinos e observar diretamente seus sistemas sensoriais permite revelar adaptações que permaneceriam praticamente invisíveis da superfície.
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