A 1.260 metros de profundidade, pesquisadores encontraram um “lago” com ilhas no fundo do oceano
O cenário submarino parece reproduzir uma paisagem que normalmente seria vista em terra
A 1.260 metros de profundidade, o fundo do oceano ganha uma aparência inesperada: há uma superfície líquida bem marcada, margens e até pequenas formações que lembram ilhas. O cenário foi registrado pela NOAA no Golfo do México. Apesar da aparência, não se trata de água doce, mas de uma piscina de salmoura, muito mais salgada e densa que a água ao redor.
Onde esse “lago” foi registrado?
A formação fica no noroeste do Golfo do México, em uma área identificada como GB907. Ela foi observada em 2014 durante um mergulho da expedição do navio Okeanos Explorer, da NOAA.
O registro oficial do mergulho da NOAA aponta profundidade máxima de 1.266,7 metros. No fundo, os pesquisadores encontraram uma piscina irregular cercada por sedimentos e afloramentos de rocha.
A borda era tão nítida que a paisagem lembrava uma pequena linha de costa submarina. Algumas rochas apareciam acima da salmoura e davam a impressão de pequenas ilhas.

Como uma piscina de salmoura se forma no fundo do mar?
A piscina existe porque aquela água contém uma quantidade muito maior de sal e fica mais densa que a água comum do oceano. Em vez de se dispersar rapidamente, ela tende a descer e se acumular nas partes mais baixas do relevo.
O arquivo científico da NOAA sobre o Golfo do México explica que a região possui grandes depósitos de sal formados há cerca de 160 milhões de anos. Quando a água entra em contato com essas camadas, parte do sal se dissolve e produz uma solução extremamente concentrada.
Por que havia tanta vida nas bordas?
A região ao redor da piscina não era um fundo vazio. A NOAA Ocean Exploration registrou vários organismos vivendo sobre as rochas ou circulando perto da salmoura.
Os afloramentos carbonáticos criavam superfícies firmes em meio ao sedimento. Foi justamente nesses pontos que a equipe encontrou parte da vida mais visível daquela paisagem submarina.
- Anêmonas e corais: apareciam presos às áreas rochosas próximas da borda.
- Vermes tubícolas: formavam grupos em alguns dos afloramentos.
- Crustáceos: camarões e caranguejos circulavam perto da piscina.
- Peixes e estrelas-do-mar: também foram observados na região ao redor.
O que acontece na fronteira entre a salmoura e o oceano?
A diferença de densidade cria uma separação visível entre os dois líquidos. A água comum fica acima, enquanto a salmoura mais pesada permanece concentrada perto do fundo.
Essa fronteira pode parecer a superfície de um lago vista de fora. O relatório da expedição da NOAA descreve margens bem definidas, afloramentos carbonáticos e sinais de gás escapando pela interface.
O que esse ambiente revela sobre o fundo do Golfo do México?
A piscina mostra que o fundo do oceano pode reunir processos geológicos e biológicos muito diferentes em uma área pequena. Na mesma região, a equipe observou salmoura, afloramentos carbonáticos, comunidades de animais e sinais naturais de gás e óleo.
Para os pesquisadores, ambientes assim ajudam a entender como fluidos vindos do subsolo alcançam o fundo marinho e mudam as condições locais. Eles também mostram como algumas espécies conseguem ocupar áreas próximas a ambientes extremos.
Por isso, a aparência de “lago com ilhas” é apenas a parte mais visível de um sistema muito maior escondido sob o oceano.
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