O sociólogo Richard Miskolci define o conceito de Inteligência Artificial (IA) vigente como um “golpe de marketing para uma tecnologia que nem é tão nova assim”.
“Eles chamarem de inteligência uma automação, e chamar de artificial o que não tem nada de artificial… Porque até a nuvem é física, no sentido de que você tem um data center lá no meio do deserto, consumindo toneladas de água para esfriar o negócio, um monte de trabalhador imigrante mexicano sofrendo em volta daquele negócio. Então, a inteligência artificial não é inteligência no sentido humano, (…) e não é artificial, porque é baseada em data centers enormes que consomem uma quantidade inacreditável de energia, de água, de recursos naturais”, disse o professor titular da Unifesp na conversa com Madeleine Lacsko no podcast Ladoa! desta semana.
Presidente do grupo de sociologia digital da Associação Internacional de Sociologia, Miskolci discute como as tecnologias moldaram profundamente as relações sociais, amorosas e familiares, criando uma espécie de “vida editada” que gera tanto novas possibilidades quanto cansaço e conflitos.
Apodrecimento cerebral
O diálogo percorre temas como a desinformação, o fenômeno do “brain rot” (apodrecimento cerebral) causado pelo consumo passivo de redes sociais e o impacto das bolhas de confirmação na nossa capacidade de conviver com o contraditório.
O sociólogo alerta também que a IA tem o potencial de eliminar empregos repetitivos, mas questiona a qualidade da produção automatizada, especialmente em áreas como o jornalismo.
Miskolci ainda expõe as preocupações éticas sobre a extração de dados, que compara a processos históricos de exploração de recursos naturais — daí a metáfora de mineracão.
E destaca como a tecnologia está forçando um retorno a métodos tradicionais na educação. Devido à facilidade de plágio por ferramentas como o ChatGPT, muitos professores estão voltando a aplicar provas manuscritas.
Assista à conversa completa: