Você sabe como se comportar no elevador?
Cerca de 22% das reclamações internas em condomínios residenciais estão relacionadas a comportamentos inadequados no uso do elevador
Se existe um espaço no condomínio onde todos se encontram — queiram ou não — é o elevador. Seja de manhã cedo, à noite ou no meio da tarde, ele é o ponto de passagem para moradores, visitantes, entregadores e prestadores de serviço. E, justamente por ser de uso coletivo, o elevador costuma ser também cenário de pequenos incômodos que, com o tempo, viram grandes conflitos.
Uma pesquisa da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI) revelou que cerca de 22% das reclamações internas em condomínios residenciais estão relacionadas a comportamentos inadequados no uso do elevador, como excesso de barulho, mau uso por prestadores de serviço e até discussões entre vizinhos.
“O uso do elevador é regido por uma lógica simples: respeito e bom senso. O problema é que, na prática, nem todos entendem que o direito de uso é coletivo, mas os deveres também”, diz o advogado Felipe Faustino, especialista em direito condominial.
Etiqueta básica: o que todo morador deveria saber (e praticar)
A boa convivência no elevador começa com regras simples.
- Segurar a porta para o próximo vizinho? Sim.
- Conversar alto no elevador? Melhor não.
- Entrar molhado da piscina? De jeito nenhum.
- Entrar com o cachorro solto? Pode gerar multa.
“É impressionante como pequenas atitudes no elevador refletem o nível de civilidade dentro de um condomínio. Um cachorro fora da guia, por exemplo, além de desrespeitoso, é perigoso e pode gerar penalidades previstas no regimento interno”, alerta Faustino.
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Prestadores de serviço e entregadores: pode ou não pode?
Outro ponto recorrente de atrito é o uso do elevador social por prestadores de serviço ou entregadores. Uma sondagem feita pela administradora Lello apontou que 65% dos moradores se sentem incomodados com o uso indiscriminado do elevador social por pessoas externas ao condomínio.
“Muitos condomínios possuem elevadores de serviço específicos para esses casos, e desrespeitar essa norma gera reclamações — muitas vezes justificadas. No caso de ausência de elevador de serviço, a dica é estabelecer horários e regras claras. Não é justo proibir o uso, mas também não se pode ignorar o conforto dos demais moradores”, orienta o advogado.
Conflitos silenciosos (ou nem tanto)
Entre os problemas mais relatados na convivência no elevador, estão:
- Segurar demais a porta e atrasar os vizinhos;
- Usar perfume forte em espaços fechados;
- Conversas particulares em viva-voz;
- Brigas entre pais e filhos dentro do elevador;
- Pessoas que fingem não ver quem vem chegando.
“Alguns moradores esquecem que o elevador é um espaço compartilhado. A regra de ouro é simples: se não faria num elevador de shopping, também não deve fazer no do prédio onde mora”, explica Faustino.
Quando é hora de o síndico intervir?
Embora muitos comportamentos sejam mais incômodos do que infrações, existem casos em que o síndico deve agir — especialmente quando há reincidência ou desrespeito às normas internas.
“O síndico pode advertir, multar e até restringir certos usos, mas sempre com base legal e seguindo o que está previsto na convenção do condomínio”, explica o especialista.
De acordo com a Confederação Nacional de Síndicos, 40% das penalidades aplicadas nos condomínios envolvem reincidência em comportamentos inadequados nas áreas comuns, incluindo elevadores.
Dicas práticas para boa convivência no elevador
- Espere as pessoas saírem antes de entrar;
- Evite conversas telefônicas longas ou em viva-voz;
- Tenha empatia com idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida;
- Segure a porta se vir alguém vindo — o tempo que você “ganha” fechando pode custar caro em má convivência;
- Não use o elevador molhado, sem camisa ou com objetos que sujem o espaço
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E quando o problema é constante?
Se um morador repete comportamentos inadequados mesmo após alertas e advertências, o condomínio pode aplicar multas progressivas, desde que previstas no regimento.
“Ninguém quer transformar o elevador em um tribunal, mas o desrespeito reiterado precisa ser tratado com firmeza”, conclui Faustino.
O elevador é um espaço simbólico da convivência condominial: pequeno, rápido, mas cheio de possibilidades para se demonstrar respeito, empatia e civilidade. E, no fim das contas, não custa nada apertar um botão com gentileza — pode ser o detalhe que evita uma longa discussão no grupo de moradores.
Por Felipe Faustino – Escritório Faustino & Teles e Sindicolab
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