Julgamento de Diddy começa em Nova York com acusações de tráfico sexual
Rapper pode pegar prisão perpétua por liderar rede de exploração sexual nos EUA
O julgamento do rapper Sean “Diddy” Combs teve início nesta segunda-feira, 5 de maio, no Tribunal Federal de Manhattan, com a fase de seleção do júri.
Aos 55 anos, o fundador da gravadora Bad Boy Records responde a cinco acusações federais, entre elas tráfico sexual, conspiração para extorsão e transporte para fins de prostituição. A Justiça dos Estados Unidos estuda até a prisão perpétua em caso de condenação.
Combs está preso desde setembro de 2024, quando foi detido por agentes do Departamento de Segurança Interna em um hotel de Nova York.
Segundo a acusação, o artista e empresário comandava há duas décadas um esquema conhecido como “freak offs”, no qual mulheres eram coagidas a participar de sessões sexuais organizadas e filmadas.
Os encontros, conforme o Ministério Público, ocorriam com uso de drogas e sob ameaça de represálias físicas ou financeiras.
A denúncia também relata que os crimes envolviam transporte de mulheres e homens entre estados norte-americanos e para o exterior.
Durante busca em imóveis do artista em Los Angeles e Miami, a polícia encontrou centenas de frascos de lubrificantes e outros materiais usados nos encontros.
Combs nega as acusações. Sua defesa afirma que as relações foram consensuais e fazem parte de um estilo de vida “swinger”.
O advogado Marc Agnifilo, que representa o réu, argumenta que os relatos partem de ex-namoradas em busca de compensações financeiras.
Entre as testemunhas de acusação está a cantora Cassie Ventura, que já moveu e posteriormente retirou um processo civil contra o artista. O juiz federal Arun Subramanian autorizou a exibição de um vídeo de 2016 em que Combs aparece agredindo Ventura em um hotel de Los Angeles.
O processo criminal tramita na Corte do Distrito Sul de Nova York, considerada uma das mais rigorosas do país. A expectativa é que o julgamento dure entre oito e dez semanas. As alegações iniciais estão previstas para o dia 12 de maio.
Paralelamente ao processo penal, Combs enfrenta ao menos 63 ações civis que incluem denúncias de abuso sexual, estupro, tráfico de pessoas e violência física.
Os casos envolvem 26 homens e 37 mulheres, muitos deles com identidade preservada, e abrangem um período de mais de 30 anos.
O caso coloca em xeque a reputação de um dos nomes mais influentes da história recente do hip-hop.
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