Volkswagen cortará 100 mil vagas até 2030
Montadora alemã aprova redução recorde de funcionários em meio à pior crise operacional de sua história recente
A Volkswagen confirmou o corte de 100 mil postos de trabalho ao redor do mundo até o fim da década.
A medida, que soma 50 mil demissões já previstas a outras 50 mil recém-aprovadas, representa a maior redução de força de trabalho já registrada no setor automotivo e equivale a cerca de 15% do total de empregados do grupo, que reúne também as marcas Audi e Porsche.
Fábricas alemãs sob ameaça
Horas antes do anúncio, veio à tona que o conselho da empresa aprovou, por unanimidade, o fim da produção em quatro unidades fabris na Alemanha: Hannover, Emden, Zwickau e Neckarsulm.
Segundo a revista alemã Wirtschaftswoche, que teve acesso a um documento interno da companhia, a manutenção dessas plantas no longo prazo não poderia ser assegurada.
As quatro fábricas somam 44 mil trabalhadores e o eventual fechamento marcaria a primeira interrupção de operações em larga escala da Volkswagen em seu próprio país.
Um funcionário da unidade de Zwickau, na Saxônia, descreveu à agência AFP o impacto esperado: “Se esta fábrica realmente fechar, deixará uma grande mancha negra no mapa. A fábrica e os empregos fora dela, nossos fornecedores, são o motor de toda a região”.
Pressão financeira e reação do mercado
O grupo atribui a decisão a um conjunto de fatores que vem corroendo seus resultados: tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, avanço da concorrência chinesa e ritmo mais lento do que o esperado na adoção de carros elétricos.
A margem operacional da companhia recuou de 7,9%, patamar mais alto da última década registrado em 2022, para 3,8% no primeiro semestre deste ano.
O comunicado oficial do grupo justificou a reestruturação afirmando que “é essencial alinhar sistematicamente os níveis da força de trabalho com as realidades econômicas”.
O presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, declarou que a decisão de eliminar 100 mil vagas transmite “um sinal forte para o futuro do Grupo Volkswagen”.
O processo não ocorreu sem atrito: sindicatos acusaram a diretoria de falta de transparência, já que a possibilidade de 100 mil cortes chegou à imprensa antes de ser comunicada formalmente aos trabalhadores.
Apesar do impacto social da medida, as ações da Volkswagen alcançaram sua cotação mais alta em 11 semanas depois do anúncio.
Moritz Kronenberger, representante da gestora Union Investment, que possui participação na montadora, avaliou o desfecho como positivo para investidores: “O acordo […] é um sinal positivo para a Volkswagen e o mercado de capitais, mesmo que envolva cortes severos entre a força de trabalho e dentro do grupo”.
Ele acrescentou que a execução do plano “está inteiramente nas mãos da diretoria executiva” e que “não há mais desculpas” para eventuais atrasos.
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