Volkswagen anuncia corte de 50 mil vagas na Alemanha
Queda de 44% no lucro em 2025 força maior montadora europeia a demitir em todas as suas marcas
A Volkswagen anunciou nesta terça-feira, 10, um plano para cortar 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030. O grupo registrou uma queda de 44% no lucro líquido em 2025 – resultado da pressão combinada de tarifas comerciais dos Estados Unidos e do avanço da indústria automotiva chinesa.
Os ganhos da montadora recuaram de 12,4 bilhões de euros para 6,9 bilhões de euros em relação ao exercício anterior. As receitas também encolheram 0,8%, chegando a pouco menos de 322 bilhões de euros. O patamar de rentabilidade atingido em 2025 é o mais baixo registrado pelo grupo em uma década.
Cortes distribuídos pelo grupo
Do total de vagas suprimidas, 35 mil pertencem à marca Volkswagen. Os demais cortes estão distribuídos entre outras empresas do conglomerado: a Audi prevê eliminar até 7.500 postos até 2029, enquanto a Porsche projeta a extinção de 3.900 funções, incluindo trabalhadores temporários.
O CEO da Volks, Oliver Blume, confirmou os números ao apresentar os resultados anuais. O diretor financeiro Arno Antlitz afirmou que novas iniciativas de contenção de despesas serão implementadas: “Só conseguiremos isso se continuarmos a reduzir os custos rigorosamente. É nisso que nos concentraremos nos próximos meses”.
As saídas serão conduzidas por programas de aposentadoria antecipada e desligamentos voluntários. Demissões por iniciativa da empresa foram afastadas do plano, conforme acordo firmado com sindicatos em 2024, que também garantiu a manutenção das fábricas alemãs em operação até o fim da década.
Mercado pressionado em duas frentes
As dificuldades vão além da pressão tarifária imposta pelo governo Trump. A adoção de veículos elétricos na Europa avança abaixo das projeções, o que reduz a demanda no principal mercado da empresa. Ao mesmo tempo, fabricantes chineses ampliam a presença global com preços competitivos, estreitando a margem dos produtores tradicionais.
O conjunto desses fatores empurrou a Volkswagen a um programa de reestruturação que redefinirá o perfil operacional do grupo até o fim da década.
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