Venda da Paramount: quanto custou agradar Trump?
CBS pagou 16 milhões de dólares ao presidente, cortou programas e aceitou pressão política para conseguir aval à venda bilionária.
A venda da Paramount Global para a Skydance Media, num acordo de cerca de 8 bilhões de dólares, acaba de ser aprovada nos Estados Unidos, mas não sem uma boa dose de controvérsia e bastidores políticos.
A autorização da FCC, (Comissão Federal de Comunicações), a agência dos Estados Unidos que regulamenta comunicações e mídias no país, foi dada por 2 votos a 1 e só saiu após a CBS, braço televisivo do grupo, fazer concessões claras ao entorno republicano de Donald Trump.
O gesto mais simbólico foi um acordo judicial entre a Paramount e o próprio Trump. A empresa vai pagar 16 milhões de dólares para encerrar um processo movido pelo presidente, que acusava o programa 60 Minutes de manipular de forma tendenciosa uma entrevista com sua ex-rival Kamala Harris.
O acerto foi visto por muitos como uma tentativa de “desobstruir” o caminho da fusão, sinalizando boa vontade com o campo conservador. A FCC impôs condições à venda que causaram forte reação entre democratas e profissionais de mídia.
Entre as exigências estão o fim dos programas de diversidade, equidade e inclusão (conhecidos como DEI) e a criação de um cargo de ouvidoria na CBS para monitorar possíveis viéses editoriais, durante pelo menos dois anos.
Para a comissária democrata Anna Gomez, única a votar contra a fusão, a decisão abre um perigoso precedente. Ela classificou o acordo como uma ameaça à independência jornalística e uma sinalização clara de que o conteúdo da mídia pode ser moldado por pressões políticas.
Outro movimento que levantou suspeitas foi o cancelamento do The Late Show with Stephen Colbert, programa de humor e entrevistas de grande audiência e frequentemente crítico ao governo Trump.
A CBS alegou motivos puramente financeiros para a decisão, mas nos bastidores o clima é de censura mal disfarçada, já que o programa era líder no segmento de cada vez mais restrito de “late shows”.
Com a fusão aprovada, David Ellison, dono da Skydance e filho do bilionário republicano Larry Ellison (fundador da big tech Oracle), assume o comando da nova empresa, enquanto Shari Redstone, antiga herdeira do império ViacomCBS, deixa a companhia após anos de influência no setor.
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Comentários (1)
NIEMEYER FRANCO
26.07.2025 14:30É esse o cara, que a direita brasileira conta para consertar o país.