União Europeia avança em pacto histórico com Mercosul
União Europeia e Mercosul estão mais próximos de fechar o acordo comercial que se arrasta desde o governo de FHC
O acordo, celebrado após 25 anos de negociações, agora segue para análise e votação no Parlamento Europeu e na adoção por governos que representem 65% da população da UE, o que implica a aprovação de 15 dos atuais 27 Estados-membro.
O centro das controvérsias reside na proteção da agricultura europeia, especialmente em setores sensíveis como carne bovina e laticínios, dominados por países como França e Polônia.
Para suavizar as tensões, a Comissão Europeia propôs salvaguardas automáticas. Caso as importações cresçam mais que 10% ou os preços caiam nessa proporção em algum Estado-membro, o acesso preferencial do Mercosul a certos produtos pode ser temporariamente suspenso.
Essa medida é acionável em até três semanas após reclamação formal. Paralelamente, foi apresentado um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros para mitigar impactos no setor agrícola da UE.
A mudança de postura da França, que antes classificava o pacto como inaceitável, passou a considerar as salvaguardas como um passo na direção certa.
A Polônia, embora ainda reticente, já não dispõe de tantos aliados para inviabilizar o avanço do acordo.
Em um cenário de tarifas protecionistas dos Estados Unidos e a crescente dependência da China por minerais críticos, o acerto com o Mercosul surge como contrapeso estratégico para fortalecer redes de fornecimento, garantir acesso a insumos cruciais, como o lítio metálico, e diversificar fontes comerciais.
O anúncio representa um avanço, podendo finalmente desencalacrar uma negociação que se arrasta desde o período do governo de Fernando Henrique Cardoso, se aprovado na votação ainda sem data anunciada.
Após a vitória de Donald Trump esse ano, a União Europeia intensificou sua busca por novos parceiros comerciais, acelerando tratativas com Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos.
Ela também reforça vínculos com países com os quais já possui algum tipo de acordo de livre comércio, como Reino Unido, Canadá e Japão.
A Comissão Europeia também apresentou uma versão revisada do pacto firmado com o México em janeiro deste ano.
O entendimento com o Mercosul, porém, segue enfrentando resistência. Produtores rurais insistem que o tratado abriria espaço para a entrada de commodities sul-americanas a preços mais baixos, especialmente carne bovina, supostamente fora dos padrões ambientais e sanitários exigidos pela UE.
O órgão executivo do bloco refuta essas críticas, sustentando que o acordo mantém as mesmas exigências regulatórias.
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