UE terá sua própria “taxa das blusinhas” para frear China
Bloco europeu cobra 3 euros por tipo de produto importado para frear avanço de plataformas asiáticas
A partir desta quarta-feira, 1º, a União Europeia passou a cobrar uma tarifa fixa de 3 euros sobre remessas de comércio eletrônico de baixo valor vindas de fora do bloco.
A “taxa das blusinhas” europeia mira diretamente plataformas como Shein, Temu e AliExpress, acusadas por varejistas europeus de praticar concorrência desleal e driblar padrões de segurança do continente.
Como funciona a cobrança
A tarifa incide sobre cada classificação aduaneira presente em um pacote. Assim, uma encomenda com três categorias distintas de produtos gera cobrança total de 9 euros, enquanto múltiplos itens do mesmo tipo — como roupas ou brinquedos — pagam apenas 3 euros.
A regra substitui, na prática, a isenção que vigorava desde 2008 para compras de até 150 euros. Segundo o DW, o volume de encomendas amparadas por essa isenção saltou de 1,4 bilhão em 2022 para 5,8 bilhões em 2025, o que levou Bruxelas a rever o mecanismo.
O legislador europeu Dirk Gotink, relator do tema no Parlamento Europeu, defendeu a mudança: “Em um mundo comercial diferente, isso fazia muito sentido, mas esse mundo não existe mais. Ele foi completamente transformado pelo comércio eletrônico, especialmente vindo da China”.
Ele afirmou ainda que a antiga isenção “foi explorada e utilizada indevidamente em escala industrial para criar uma vantagem competitiva às custas das empresas da UE”.
Fiscalização e prazo de validade
A cobrança atual é considerada provisória. Ela deve vigorar até 1º de julho de 2028, quando entra em operação a nova Autoridade Aduaneira da UE, responsável por aplicar tarifas alfandegárias tradicionais conforme o tipo de mercadoria.
Antes da nova regra, alguns países do bloco já haviam criado tarifas próprias sobre esse tipo de importação, mas deverão abandoná-las em favor da cobrança unificada, segundo um funcionário europeu ouvido pela reportagem.
A Comissão Europeia argumenta que o objetivo é reduzir a sobrecarga sobre as alfândegas e mitigar riscos ligados a produtos sem fiscalização adequada. Inspeções realizadas em 2025 identificaram irregularidades em mais de 60% dos itens avaliados, entre brinquedos, cosméticos e eletrônicos — casos de ingredientes proibidos, ausência de rótulos ou documentação de segurança incompleta.
O chefe do comitê de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, resumiu a dificuldade de controle: “É praticamente impossível de administrar, e as verificações normais são quase inviáveis”.
Efeito nos preços e reação das empresas
Embora a UE afirme que o custo recai sobre o importador, e não sobre o consumidor final, plataformas podem repassar o valor aos preços dos produtos ou negociar com fornecedores para absorver parte da despesa.
Diante da nova cobrança, a AliExpress informou que passará a exibir a informação “Preço inclui tarifas e IVA” nas páginas de produtos elegíveis, com detalhamento dos encargos antes da finalização da compra.
Já a Amazon destacou que 97% de suas remessas na UE no último ano partiram de armazéns localizados dentro do bloco, e que produtos enviados do exterior também terão os custos de importação informados previamente ao cliente.
Shein e Temu não comentaram a mudança até o fechamento desta nota.
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