UE registra recorde de emprego entre imigrantes
Levantamento aponta taxa de 68,2% entre estrangeiros residentes no bloco, patamar mais alto desde 2017
Estrangeiros residentes na União Europeia registraram a maior taxa de emprego já contabilizada desde que a série histórica começou a ser medida, em 2017: 68,2%. Os números foram divulgados nesta quinta-feira, 23, pela Rockwool Foundation Berlin (RFBerlin), com base em dados da Eurostat referentes à população de 15 a 64 anos.
Entre os imigrantes originários de países que não integram a UE, a taxa de ocupação passou de 59,4%, em 2017, para 66% em 2025 — alta de 6,6 pontos percentuais. O patamar continua abaixo do observado entre nativos, de 71,6%, e entre migrantes vindos de outros países do bloco, de 74,8%.
Segundo a DW, o estudo indica que cerca de três quartos dos imigrantes em idade ativa que vivem na União Europeia nasceram fora dela. Há variação expressiva entre os países-membros.
Distribuição desigual
Malta (83,7%), República Tcheca (77,3%) e Irlanda (76,1%) apresentam as maiores taxas de emprego entre imigrantes de fora do bloco, enquanto Estônia e Portugal também superam a marca de 75%.
Já Bélgica (58,5%) e Finlândia (58,6%), seguidas por França (61,5%) e Itália (64,2%), registram os menores índices — justamente em economias com mercados de trabalho aquecidos para a população nativa.
Na Alemanha, a taxa de emprego de imigrantes extra-UE chegou a 66,1%, distante dos 79,6% verificados entre alemães nativos e dos 78,6% entre migrantes de outros países da União Europeia. O país, junto com a Holanda, concentra uma das maiores diferenças relativas entre nativos e estrangeiros, resultado de um mercado de trabalho interno particularmente favorável à população local.
Quem enfrenta mais obstáculos?
O levantamento mostra que homens nascidos fora da UE já apresentam taxas de emprego próximas às dos homens nativos. As mulheres desse grupo, porém, permanecem em desvantagem considerável, com disparidades mais acentuadas na Grécia e na Itália.
Trabalhadores com formação superior também enfrentam dificuldades adicionais: mesmo com escolaridade elevada associada a maior chance de emprego em todos os grupos, imigrantes qualificados vindos de fora do bloco têm mais dificuldade de inserção profissional do que nativos com o mesmo nível educacional.
Christian Dustmann, diretor da RFBerlin, disse que “a Europa fez progressos notáveis na integração de imigrantes ao mercado de trabalho. O desafio hoje já não é apenas inserir imigrantes no emprego, mas garantir que suas qualificações sejam plenamente aproveitadas”.
Segundo a Rockwool Foundation Berlin, medidas como maior reconhecimento de diplomas estrangeiros, redução de exigências de certificação e incentivo à participação feminina no mercado poderiam reduzir a escassez de mão de obra em diversos países europeus.
A entidade cita ainda dado da Agência Federal de Emprego da Alemanha, segundo a qual 43% dos novos postos de trabalho criados no país entre 2014 e 2025 foram ocupados por cidadãos de fora da União Europeia.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)