Trump impõe tarifa de 50% a produtos canadenses
Casa Branca cita discriminação contra automóveis, bebidas e laticínios americanos ao justificar novo tarifaço
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira, 20, uma tarifa adicional de 50% sobre uma série de produtos importados do Canadá, medida assinada pelo presidente Donald Trump por meio de três proclamações baseadas na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. A decisão amplia o atrito comercial entre os dois países e atinge itens como vinhos, cimento e equipamentos esportivos.
Segundo informações repassadas por um funcionário do alto escalão do governo americano, a nova cobrança entrará em vigor em 30 dias e abrange a maior parte das exportações canadenses aos EUA, com exceção de energia, potássio, pescado e minerais considerados críticos.
Justificativa oficial
A Casa Branca argumenta que o Canadá trata de maneira desigual produtos americanos exportados ao país, citando o setor automotivo como exemplo central da disputa.
Segundo o governo americano, o Canadá aplica tarifas e cotas sobre veículos importados dos Estados Unidos que não incidem sobre carros vindos de outras nações, o que teria pressionado montadoras a transferir investimentos produtivos para território canadense.
De acordo com dados apresentados pelo próprio governo dos EUA, as importações canadenses de veículos automotores americanos caíram cerca de 22%, equivalente a US$ 5,6 bilhões, no período entre abril de 2025 e março de 2026, na comparação com os doze meses anteriores.
Precedente jurídico incerto
A aplicação da Seção 338 chama atenção por se tratar de dispositivo raramente utilizado: não havia registro público de sua aplicação para fins tarifários desde 1949. Essa característica inédita levanta dúvidas sobre a solidez jurídica da medida, já que a norma nunca havia sido testada para esse propósito específico.
As novas tarifas também alcançam bens que, até então, estavam protegidos por regras do acordo comercial USMCA, firmado entre Estados Unidos, Canadá e México. O tratado expirou no início deste mês, e a expectativa é de que novas negociações entre os três países se estendam por anos.
Contexto político
O anúncio ocorre um dia após Trump acompanhar, ao lado do primeiro-ministro canadense Mark Carney, a final da Copa do Mundo, disputada em Nova Jersey. Um representante do governo americano afirmou que o encontro entre os dois líderes não teve caráter de reunião de trabalho voltada a temas comerciais.
O funcionário destacou ainda que o Canadá figura entre os poucos países, ao lado da China, que adotaram medidas de retaliação após tarifas impostas anteriormente pelos Estados Unidos, fator apontado como parte da motivação para a nova rodada de sanções comerciais.
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