TikTok pede aval do BC para operar serviços financeiros no Brasil
ByteDance protocolou solicitação de autorização para atuar com pagamentos e crédito; executivos se reuniram com o Galípolo em Brasília
A plataforma de vídeos TikTok, controlada pela chinesa ByteDance, solicitou ao Banco Central do Brasil autorização para operar no mercado financeiro nacional. A empresa protocolou dois pedidos de licença junto ao regulador, com o objetivo de oferecer serviços de pagamento e crédito aos usuários brasileiros.
Segunda a Folha, as informações foram confirmadas por duas pessoas com conhecimento direto do assunto, que pediram para não ser identificadas em razão do caráter reservado das negociações.
Nesta terça-feira, 31, executivos da ByteDance — entre eles Liao Baohua, responsável global pela área de pagamentos da companhia — se reuniram em Brasília com Gabriel Galípolo. O encontro constava da agenda pública do dirigente. Tanto o TikTok quanto o BC se recusaram a comentar o assunto.
Dois pedidos, dois modelos de atuação
O primeiro pedido busca enquadramento como instituição de pagamento emissora de moeda eletrônica. Essa modalidade permite a criação de contas pré-pagas dentro do próprio aplicativo, nas quais os usuários poderiam armazenar saldo, receber valores e realizar transações sem sair da plataforma.
O segundo pedido requer autorização para funcionar como SCD — sociedade de crédito direto. Esse modelo de fintech opera com capital próprio ou como intermediária entre tomadores e credores, sem a possibilidade de captar depósitos do público em geral. A combinação dos dois formatos abriria ao TikTok um conjunto de serviços financeiros básicos no país.
O modelo lembra a trajetória do Nubank, hoje o maior banco digital do Brasil, que construiu sua base a partir de produtos simples e escaláveis. A diferença é que o TikTok já chega ao mercado financeiro com 131 milhões de usuários adultos cadastrados no país, número registrado ao fim de 2025, segundo a consultoria DataReportal. Os anúncios da plataforma alcançam 80,3% dos adultos brasileiros.
A empresa não esclareceu se a entrada no setor financeiro tem como foco apenas o suporte ao TikTok Shop — braço de comércio eletrônico da plataforma — ou se a meta é construir um ecossistema financeiro mais amplo para os usuários brasileiros.
A decisão final caberá ao Banco Central, que avaliará os pedidos conforme a regulação vigente para fintechs no país.
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