‘Tarifaço’: Haddad vai conversar com secretário do Tesouro dos EUA?
O ministro da Fazenda afirmou ter recebido a sinalização de uma possível conversa com Scott Bessent antes de 1º de agosto
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira, 30, ter recebido a sinalização de uma possível conversa com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, antes do início do ‘tarifaço’ de 50% sobre produtos brasileiros, previsto para começar na próxima sexta-feira, 1º de agosto.
“A assessoria dele pediu um pouco de paciência em função das missões que ele está cumprindo lá, mas disse que, ao regressar aos EUA, haveria possibilidade de uma nova conversa”, disse o ministro.
Apesar das alegadas dificuldades do governo brasileiro para desobstruir os canais de comunicação com o governo americano, as conversas começaram.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse ter tido ao menos duas reuniões com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, nos últimos dias.
Haddad indicou que Alckmin pode ir a Washington para uma reunião presencial com representantes da Casa Branca.
No entanto, ele condicionou a viagem à elaboração de “uma agenda estruturada”.
“Nem da parte deles há total clareza”
Haddad afirmou na terça, 29, que o governo federal não pode anunciar uma “medida econômica” em resposta ao ‘tarifaço’ quando “nem o secretário de Estado” americano, Marco Rubio, “tem completa clareza do que vai acontecer”.
“Essas que eu já adiantei… Mas eu não posso… Veja bem, nós temos um problema que nós não sabemos quais as medidas serão tomadas pelos Estados Unidos. Você tá julgando o governo como se o governo dos Estados Unidos soubesse o que vão fazer nessa semana. E nem o secretário de Estado [Marco Rubio] tem completa clareza do que vai acontecer”, disse o ministro à CNN Brasil.
Haddad citou a entrevista do secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, na qual admitiu a possibilidade de zerar a tarifa sobre produtos naturais. Segundo ele, até os próprios americanos “desconhecem” o ‘tarifaço’.
“Porque, a cada momento, ‘olha, pode ser que não…’. Hoje tem notícia da imprensa, quer dizer você tem que olhar para o outro lado também e você vai ficar com uma avaliação parcial. Quando um secretário diz: ‘Olha, talvez o café não entre, talvez manga não entre…’ Aí tem notícia: ‘Ah, a Embraer talvez não…’ Quer dizer, você começa a ver que nem da parte deles há total clareza. Então como é que eu vou anunciar uma medida hoje sobre um ato que eu desconheço e que eles desconhecem”, completou.
O ‘tarifaço’ de 50% estabelecido pelos Estados Unidos sobre todos os produtos brasileiros entrará em vigor na próxima sexta, 1º.
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Comentários (1)
Luis Eduardo Rezende Caracik
30.07.2025 12:13Apenas como sugestão, o Brasil poderia usar uma bomba que possui mas não sabe. Poderia comunicar aos Americanos que estará transferindo, digamos, 50 bilhões de dólares das reservas de bonds do tesouro americano para ouro. E ainda sobraria munição. Vai doer muito aos americanos.