Tarifaço de Trump pode cortar até 138 mil empregos no Brasil
Governo prevê forte impacto do tarifaço dos EUA na indústria e no emprego. Medidas compensatórias devem atenuar efeitos
Uma simulação divulgada pelo Ministério da Fazenda aponta que o impacto do tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros pode resultar em uma redução de até 0,2 ponto percentual do PIB no período entre agosto de 2025 e dezembro de 2026.
No cenário mais pessimista, a medida poderia eliminar aproximadamente 138 mil postos de trabalho no país.
A projeção detalha que os setores mais atingidos seriam a indústria de transformação, com potencial perda de 71,5 mil empregos, seguida pelos serviços, com 51,8 mil, e a agropecuária, com 14,7 mil.
Esse quadro é consequência da aplicação de tarifas adicionais que chegam a 50% e incidem sobre cerca de 40% das exportações brasileiras direcionadas ao mercado norte-americano, atingindo diretamente segmentos com maior grau de encadeamento produtivo.
Para conter os efeitos dessa retração, o governo lançou o Plano Brasil Soberano, um pacote de medidas compensatórias.
Dentre essas medidas, há concessão de créditos subsidiados, diferimento de tributos, que permite postergar o pagamento de impostos para um momento futuro, a ampliação de compras públicas e exigência de manutenção de empregos por parte das empresas exportadoras beneficiadas.
Com a adoção desse conjunto de políticas, a estimativa oficial é que a perda de produto caia para 0,1 ponto percentual, enquanto a eliminação de vagas de trabalho seja reduzida à metade, em torno de 65 mil.
Do ponto de vista técnico, a retração projetada resulta da diminuição da demanda externa, que afeta diretamente o investimento produtivo e desestimula a expansão da capacidade industrial.
A desaceleração impacta o nível de produção e, em consequência, o mercado de trabalho, sobretudo em cadeias com maior dependência de insumos importados e de contratos de fornecimento atrelados ao comércio internacional.
Em termos de preços, o efeito esperado é limitado: o IPCA deve apresentar elevação de apenas 0,1 ponto percentual, uma vez que a redução da demanda externa tende a aumentar a oferta doméstica de determinados bens.
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