Setor produtivo pede negociação após tarifaço dos EUA
Entidades de diversos ramos da economia cobram intensificação das negociações bilaterais para reduzir alíquotas anunciadas por Washington
Representantes de múltiplos setores da indústria brasileira reagiram à imposição de uma sobretaxa adicional de 12,5% pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais.
As entidades, entre elas CNI, Abimaq, Unica e Fiemg, convergem num mesmo pedido: que o governo brasileiro amplie o diálogo diplomático com Washington em busca de acordos que revertam ou atenuem as novas alíquotas, evitando medidas de retaliação.
Impacto sobre exportações
Segundo a Amcham, aproximadamente três mil produtos exportados do Brasil aos Estados Unidos — montante equivalente a US$ 10,7 bilhões — passarão a ser taxados em 37,5%.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, classificou o novo cenário como prejudicial à competitividade da indústria nacional. Em nota, afirmou que “o setor produtivo continuará apoiando as negociações do governo brasileiro com os norte-americanos”.
Já a Abimaq discorda da possibilidade de resposta brasileira via Lei de Reciprocidade Econômica. Para a entidade, embora a decisão americana tenha caráter majoritariamente político, uma reação baseada em retaliação “tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países”.
Setores específicos apontam desequilíbrios
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) destacou uma assimetria comercial entre os países. De acordo com a associação, as exportações brasileiras de açúcar seguem sujeitas a tarifas e restrições dos Estados Unidos, “enquanto o Brasil mantém uma política não discriminatória para o etanol, em conformidade com as regras do comércio internacional”.
No setor calçadista, a Abicalçados avaliou que a nova alíquota representa um retrocesso adicional na relação comercial bilateral. Seu presidente, Haroldo Ferreira, disse que a medida “piora o que já estava ruim”, ampliando a diferença tarifária entre o Brasil e concorrentes asiáticos como Vietnã, Indonésia e Camboja.
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) cobrou postura mais incisiva do Executivo federal, defendendo “atuação firme, técnica e coordenada” para ampliar exceções e garantir regras claras às empresas.
A Associação dos Minerais Críticos (AMC), pela voz de sua presidente Marisa Cesar, defendeu que “mecanismos de diálogo e negociação tendem a produzir resultados mais favoráveis ao desenvolvimento das cadeias produtivas do que a ampliação de barreiras comerciais”.
Já a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) afirmou que a nova tarifa representa desafio adicional à competitividade do setor, e informou que buscará alternativas junto a representantes do governo brasileiro e do mercado americano para preservar o acesso de seus produtos aos Estados Unidos.
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