São Mateus colheu 2 mil toneladas de macadâmia em 2024 sem aumentar a lavoura, e uma fazenda da cidade transforma a noz em doce, biscoito e gelato
Produção capixaba subiu 39,8% em dois anos em cerca de 660 hectares, e quase toda a noz exportada pelo Espírito Santo segue para o mercado americano
A macadâmia plantada em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, rendeu 2.055 toneladas em 2024, ante 1.470 toneladas em 2022, sem que a área colhida passasse de cerca de 660 hectares. Os números são da Secretaria de Estado da Agricultura do Espírito Santo (Seag), que aponta alta de 39,8% em dois anos.
Parte dessa noz não sai da fazenda como grão. Em uma propriedade da cidade administrada por uma produtora chamada Ana Paula, a amêndoa vira doce, biscoito e gelato, segundo reportagem do g1 Espírito Santo e da TV Gazeta publicada neste domingo (1º).
Macadâmia de São Mateus cresce sem novas áreas
São Mateus é o único município produtor de macadâmia do Espírito Santo, de acordo com a Seag. Pelos dados da secretaria, a produção saiu de 1.470 toneladas em 2022 para 1.530 toneladas em 2023 e chegou a 2.055 toneladas em 2024.

O ganho veio de produtividade, já que a área ficou estável em torno de 660 hectares no período, segundo o mesmo levantamento. Produtores ouvidos pelo g1 afirmam que o Espírito Santo é o segundo maior produtor do país, atrás de São Paulo.
A cultura chegou à região nos anos 1980. O produtor Eliseu Bonomo contou ao g1 que o governo estadual distribuiu mudas e deu subsídios numa época em que o Norte capixaba buscava alternativas à agricultura tradicional.
Família Bonomo trocou mão de obra por máquina na colheita
Muitos agricultores abandonaram a noz ao longo das décadas, mas a família Bonomo manteve a lavoura. Ítalo Bonomo, que deu sequência ao trabalho iniciado pelo pai, cuida de cerca de 100 hectares de macadâmia, de acordo com o g1.
Há três anos, a propriedade comprou máquinas que recolhem do chão as nozes que caem das árvores. A colheita é a etapa que mais exige gente, e a mecanização reduziu custo e necessidade de trabalhadores, segundo o produtor.
Mesmo assim, a fazenda emprega 15 funcionários fixos durante o ano, número que dobra para cerca de 30 no pico da colheita, conforme Ítalo relatou ao g1.
Do doce criado num curso ao gelato da fazenda
A ideia de transformar a amêndoa em produto pronto começou com a tia de Ana Paula, também produtora, que desenvolveu um doce de macadâmia como trabalho de um curso do Empretec, programa de empreendedorismo do Sebrae. Quando assumiu a administração da fazenda, Ana Paula decidiu levar a receita para a produção.
Hoje a propriedade fabrica doce, biscoito e gelato com a noz processada, segundo o g1. O caminho agrega valor a uma matéria-prima que, vendida a granel, depende das cotações internacionais.
Esse tipo de aposta tem mercado. Um relatório do Ministério da Agricultura de outubro de 2025 registra que a macadâmia descascada tem o maior preço entre as nozes de árvore vendidas nos Emirados Árabes Unidos.
Quanto vale o quilo exportado
A Seag informa que o Espírito Santo exportou 152,9 toneladas em 2023, por US$ 1,18 milhão, e 165,4 toneladas em 2024, por US$ 969,7 mil. De janeiro a novembro de 2025, foram 183 toneladas e US$ 1,27 milhão.
Pela conta feita a partir desses números da Seag, o quilo embarcado valeu em média cerca de US$ 7,72 em 2023, US$ 5,86 em 2024 e US$ 6,94 no acumulado de 2025. A secretaria cita oscilações nos preços internacionais em 2024.
Cerca de 99% do valor e do volume exportado vai para os Estados Unidos, segundo a Seag. A noz entrou na lista de exceções tarifárias americanas em 2025, o que, para o secretário Enio Bergoli, manteve o estado competitivo.
Cooperativa concentra a produção desde 1999
Os produtores de São Mateus criaram uma cooperativa em 1999 e, de acordo com o g1, ela recebe cerca de 1.600 toneladas de noz por ano. No cadastro da Receita Federal, a Coopmac, Cooperativa Agroindustrial dos Produtores de Noz Macadâmia, aparece com sede na cidade e abertura em outubro de 1999.
Depois do beneficiamento, a noz é vendida in natura ou torrada. Parte segue para Estados Unidos, Europa e América do Sul, e o restante abastece o mercado brasileiro, segundo a reportagem.
O Antagonista já mostrou outras cadeias do interior capixaba, como a cidade que costura 2 milhões de peças por mês às margens do Rio Doce, e a história da Suíça capixaba, fundada por imigrantes em 1847.
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