Rodando com pneus abaixo de 1,6 milímetros o motorista ignora o Art. 230 do CTB e desliza na água a 80 km/h
A profundidade dos sulcos explica por que o pneu gasto deixa de drenar água e transforma chuva em risco real de perda de controle.
Pneus abaixo de 1,6 milímetro deixam de cumprir uma função decisiva na chuva: abrir caminho para a água sair da área de contato. Quando os sulcos perdem profundidade, o carro pode aquaplanar, perder direção e ainda ser retido em fiscalização.
Por que pneus abaixo de 1,6 milímetro são um problema legal?
Pneus abaixo do limite mínimo indicam desgaste capaz de comprometer a segurança do veículo. No Brasil, essa condição pode enquadrar o motorista no Art. 230 do Código de Trânsito Brasileiro, por conduzir veículo em mau estado de conservação.
A Resolução CONTRAN nº 913/2022 consolida regras sobre pneus e cita a profundidade de 1,6 milímetro como referência mínima dos sulcos. A irregularidade pode gerar multa, pontos e retenção para regularização.

Para que servem os sulcos do pneu na pista molhada?
Os sulcos servem para expulsar água da região entre borracha e asfalto. Em piso seco, a aderência depende principalmente do contato da borracha com a textura da pista; na chuva, a drenagem vira parte central da segurança.
Quando o sulco fica raso, o pneu perde volume físico para canalizar a água. A lâmina líquida cresce sob a banda de rodagem, reduz o contato mecânico e transforma velocidade, chuva e desgaste em uma combinação perigosa.
A seguir, os pontos que explicam essa perda de aderência:
- sulcos rasos reduzem a capacidade de escoamento da água;
- velocidade alta aumenta o volume de água a ser removido;
- pressão incorreta piora a área de contato do pneu;
- asfalto liso ou empoçado amplia o risco de aquaplanagem.
O que acontece quando o carro aquaplana a 80 km/h?
Na aquaplanagem, o pneu perde contato efetivo com o asfalto e passa a deslizar sobre uma película de água. A direção fica leve, o volante responde mal e o carro tende a seguir a trajetória em que entrou.
A 80 km/h, o risco cresce porque o pneu precisa deslocar água muito rapidamente. Se os canais estão gastos, a borracha não encontra pista firme, e frear ou virar de forma brusca pode aumentar a instabilidade.
Na tabela abaixo, veja como desgaste e chuva mudam o comportamento do carro:
| Condição | Efeito prático |
|---|---|
| Sulco novo | Maior capacidade de drenar água sob o pneu. |
| Sulco perto de 1,6 mm | Redução da margem de segurança em chuva forte. |
| Pneu abaixo do limite | Maior risco de aquaplanagem e autuação. |
| Velocidade elevada | Menos tempo para o pneu expulsar a água. |
Como a fiscalização identifica pneu careca?
A fiscalização pode observar o estado visual do pneu e o indicador TWI, uma pequena marca de desgaste dentro dos sulcos. Quando a banda de rodagem chega ao nível desse indicador, o pneu já perdeu a profundidade mínima aceitável.
Na blitz, o problema não é apenas estético. Um pneu sem condição de segurança compromete frenagem, estabilidade e drenagem de água. Por isso, a medida administrativa pode incluir retenção do veículo até a troca ou regularização.
Leia também: Motoristas que andam lento na faixa da esquerda: o artigo 185 do CTB explica quando a multa pode chegar
Como evitar aquaplanagem e infração por pneu gasto?
A prevenção começa por medir os sulcos, calibrar os pneus e trocar o conjunto antes de chegar ao limite. Esperar a borracha ficar lisa reduz a margem de reação exatamente quando a chuva exige mais aderência.
Também é importante reduzir velocidade em pista molhada, evitar manobras bruscas e manter distância maior do veículo à frente. No fim, o sulco do pneu funciona como peça de segurança: pequeno na medida, mas decisivo na água.
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