Retrospectiva: o dia em que o dono do Banco Master foi preso
De acordo com a PF, Vorcaro pretendia deixar o Brasil com destino à Europa. O jatinho onde ele estava também foi apreendido pela PF
A Polícia Federal prendeu, na manhã de 18 de novembro, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele estava no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
De acordo com a PF, Vorcaro pretendia deixar o Brasil com destino à Europa. O jatinho onde ele estava também foi apreendido pela PF. A aeronave foi avaliada em aproximadamente 200 milhões de reais.
A defesa de Vocaro, no entanto, negou o plano de fuga. Os advogados do banqueiro afirmaram que ele estava seguindo para o Catar negociar a venda do Master.
A prisão faz parte da Operação Compliance Zero, destinada a desarticular um esquema de emissão de títulos de crédito falsos envolvendo instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional. Segundo a Polícia Federal, a fraude, em um primeiro momento, chegou a aproximadamente 12 bilhões de reais.
A ação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça. As diligências ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
Investigações começaram após alerta do Ministério Público Federal durante a negociação entre o Banco Regional de Brasilia (BRB) e o Banco Master.
Segundo a PF, o caso começou a ser apurado em 2024, após requisição do Ministério Público Federal. O objetivo inicial era investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira.
Segundo a PF, títulos falsos teriam sido vendidos a outro banco e, posteriormente, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada.
A corporação apura a prática de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa e outros delitos ligados à manipulação ilícita de ativos financeiros.
A venda do Banco Master
Um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira, com a participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos, apresentou ao Banco Central (BC) um pedido para comprar o Banco Master S.A com transação inicial estimada em 3 bilhões de reais. Mas, durante as investigações, a PF descobriu que essa operação tinha como objetivo maquiar operações fraudulentas do Master
No mesmo dia da operação, o Banco Central decidiu decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada a instituição liquidante, com poderes inclusive de administrar o ativo do banco.
BRB
Em setembro, o BC rejeitou a compra do Banco Master pelo estatal Banco de Brasília (BRB).
Em fato relevante, o BRB informou que “apresentou solicitação de acesso à íntegra da decisão, com o objetivo de avaliar seus fundamentos e examinar as alternativas cabíveis”.
“O BRB – Banco de Brasília S.A. (“BRB”; B3: BSLI3 e BSLI4) comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que foi informado pelo Banco Central (“Bacen”) sobre o indeferimento do requerimento protocolado em 28 de março de 2025, referente à aquisição de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master S.A. (“Banco Master”)”, diz a mensagem, que complementa:
“O BRB reitera seu posicionamento de que a transação representa uma oportunidade estratégica com potencial de geração de valor para o BRB, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional e manterá seus acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.”
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