Preços chineses ‘não fazem sentido’, diz CEO da BMW
CEO da BMW alerta que a China pode restringir baterias como retaliação a novas tarifas europeias sobre carros elétricos
O CEO da BMW, Milan Nedeljković, disse em entrevista publicada na terça-feira, 22 de setembro, pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, que alguns carros chineses são vendidos na Europa a preços que “não fazem sentido do ponto de vista comercial”.
Essa distorção, diz ele, alimenta tendências protecionistas no continente, mas ele acredita que a resposta não deveria vir na forma de novas tarifas comerciais.
Nedeljković defende acordos justos e voluntários de preços entre Bruxelas e Pequim como alternativa a tarifas adicionais, que classificou como uma intervenção ainda maior no mercado.
O executivo, que assumiu o comando da BMW em maio deste ano, argumenta que a União Europeia tem pouco espaço de manobra porque a China controla o fornecimento de células de bateria usadas pelas montadoras europeias.
Segundo ele, uma escalada tarifária poderia levar Pequim a restringir esse insumo como retaliação. A União Europeia já cobra sobretaxas de 17% a 35,3% sobre veículos elétricos fabricados na China, aplicadas por marca após uma investigação antissubsídios.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou o déficit comercial do bloco com a China de insustentável, e a Comissão avalia novas medidas.
A posição de Nedeljković diverge da linha adotada por Volkswagen, Renault e Stellantis, que apoiam o projeto “Made in Europe”, exigindo que 70% do conteúdo de um carro venha da região.
Segundo estimativa do Instituto Bruegel, citada pela Euronews, essa regra poderia elevar em mais de 2 mil euros o preço de um carro elétrico, principalmente pelo custo mais alto das baterias produzidas na Europa.
A cautela da BMW também pode refletir interesse próprio. A montadora fabrica na China o MINI Cooper elétrico e o MINI Aceman, ambos exportados para a Europa, produtos que seriam diretamente afetados por qualquer aumento de tarifas sobre veículos chineses.
O mercado chinês, que já foi o maior da BMW, também encolheu. As entregas da marca no país caíram de 847.900 carros em 2021 para 626.000 em 2025, queda de 26% em quatro anos, segundo o relatório anual da companhia.
Parte dessa perda foi capturada por marcas locais como BYD, SAIC e Geely, que agora ampliam suas operações na Europa com preços abaixo dos praticados pelas rivais alemãs.
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