Petróleo supera 100 dólares e guerra já afeta o Brasil
Escalada militar no Oriente Médio muda o equilíbrio do petróleo e cria novos vencedores e perdedores na economia
Os preços do petróleo voltaram a superar 100 dólares por barril nesta quinta-feira (12), enquanto ataques a navios comerciais e riscos de bloqueio de rotas marítimas ampliaram a incerteza no Golfo.
A escalada da guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel pressionou bolsas e valorizou o dólar mesmo após a liberação recorde de reservas estratégicas coordenada por Washington e pela Agência Internacional de Energia.
Segundo estimativas discutidas no mercado, já é considerada pela Agência Internacional de Energia a maior disrupção da história do mercado de petróleo.
O órgão projeta que a produção mundial pode cair ao menor nível em quatro anos caso exportações do Golfo continuem limitadas. O impacto começou a aparecer nos mercados financeiros com queda de futuros em Nova York e recuos em bolsas europeias e asiáticas.
Economistas veem dois cenários principais. Se o conflito for breve, os preços de energia tendem a recuar ao longo do ano. Em um quadro prolongado, o barril pode permanecer perto de 100 dólares, retirando cerca de meio ponto percentual do crescimento mundial e elevando a inflação em quase um ponto.
Países dependentes de importações de energia, como Índia, China, Japão e Coreia do Sul, aparecem entre os mais expostos.
Ao mesmo tempo, a redistribuição de ganhos começa a aparecer. A produção de petróleo nos Estados Unidos impulsionada pelo setor de fracking reduz parte da vulnerabilidade da economia americana ao choque de preços.
Já produtores fora da zona de conflito, como Brasil, Canadá e Rússia, podem se beneficiar da demanda adicional por barris alternativos.
Para o Brasil, a alta do petróleo tende a aumentar receitas de exportação e dividendos de empresas do setor, como Petrobras, além de aumentar a arrecadação ligada ao setor. Ao mesmo tempo, combustíveis mais caros pressionam custos de transporte, fertilizantes e logística, já que o país ainda importa diesel e não possui capacidade de refino suficiente para atender toda a demanda interna.
Caso o preço do barril permaneça alto por vários meses, o efeito positivo nas exportações de petróleo bruto pode conviver com inflação maior e impacto sobre consumo e política monetária.
Na outra ponta, países do Golfo enfrentam perdas porque o bloqueio do estreito de Ormuz limita exportações e paralisa parte da infraestrutura regional.
Esse rearranjo já afeta cadeias de transporte e decisões de investimento. Com navios desviando rotas e seguradoras aumentando prêmios de risco, refinarias asiáticas disputam carregamentos disponíveis enquanto governos começam a discutir medidas de economia de energia para enfrentar um período de oferta mais restrita nos próximos meses caso a instabilidade no Golfo Pérsico continue.
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