Pacotaço fiscal divide opiniões nos Estados Unidos
Lideranças políticas e empresariais elogiam cortes de impostos e estímulo industrial; economistas alertam para impacto social e aumento da dívida
A sanção do “One Big Beautiful Bill” pelo presidente Donald Trump, na quinta, 4, gerou reações imediatas entre os principais nomes do debate político e econômico americano.
O pacote, aprovado pelo Congresso após meses de impasse, reúne cortes de impostos, exigências de trabalho para acesso a benefícios federais e expansão de gastos com defesa e segurança.
Newt Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Deputados, elogiou a articulação política que viabilizou o projeto em votação única.
Para ele, “foi uma conquista extraordinária, que será estudada por anos”. Gingrich defendeu as mudanças no Medicaid, programa de saúde para baixa renda, e declarou que “os democratas que votaram contra caíram numa armadilha”.
A posição foi contraposta por Larry Summers, ex-secretário do Tesouro, que qualificou o texto como “a maior reversão da rede de proteção social na história dos Estados Unidos”.
Segundo ele, “até 12 milhões de americanos podem perder a cobertura de saúde”, em referência à estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso.
Summers também criticou a ampliação de isenções tributárias para famílias de alta renda: “É grotesco dar um milhão de dólares ao 0,1% mais rico cortando transporte médico de gente pobre”.
Jason Furman, ex-chefe do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, afirmou que o projeto “espelha o oposto do plano Bowles–Simpson”, referência ao acordo bipartidário discutido em 2010.
Ele estimou que “a proposta adicionará até US$ 4 trilhões ao déficit, sem nenhuma contrapartida estrutural”.
Já Tyler Cowen, economista e colunista do portal The Free Press, adotou tom cautelosamente favorável: “O projeto representa uma das apostas mais ousadas no crescimento da economia americana que eu já vi”.
Para Cowen, “se os ganhos em produtividade, especialmente via inteligência artificial, se concretizarem, o impacto fiscal poderá ser absorvido”.
O setor produtivo manifestou apoio imediato. Mitch McConnell, líder republicano no Senado, disse que “o projeto oferece alívio tributário histórico para famílias e empresas”.
Larry Kudlow, economista e conselheiro de Trump, afirmou que “vai liberar crescimento e criar milhões de empregos”.
Robert Lighthizer, ex-representante de comércio dos EUA, declarou que “é um passo firme rumo à revitalização da indústria americana”.
A Associação Nacional da Indústria classificou a proposta como “uma vitória para a indústria e para todos os americanos que dependem de um setor fabril forte”.
Reihan Salam, presidente do Manhattan Institute, afirmou que parte dos cortes no Medicaid são “fáceis de contornar pelos estados” e que “na prática, o impacto direto pode ser muito menor que o estimado”.
Segundo ele, “há espaço para interpretação e para manutenção da cobertura em diversas situações”.
A oposição, por sua vez, deve explorar os efeitos sociais do pacote nas eleições legislativas de 2026.
Segundo o instituto Kaiser, 77% dos americanos têm alguma ligação pessoal com o Medicaid — número que chega a 85% entre hispânicos e 81% entre famílias com renda inferior a US$ 90 mil por ano.
A sanção foi celebrada por Trump como um marco: “Não há presente melhor para os 250 anos da América do que essa vitória fenomenal”.
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