O que acontecerá se a aposta de US$ 3 trilhões em IA der errado?
The Economist explora cenários de risco caso a adoção da tecnologia seja mais lenta que o previsto
A The Economist publicou nesta quinta, 11, o artigo “E se o boom de investimentos de US$ 3 trilhões em IA der errado?”. O texto descreve a atual corrida global de capital como “um dos maiores booms de investimento da história moderna”.
Segundo a revista, “as grandes empresas de tecnologia dos EUA vão gastar quase US$ 400 bilhões em 2025 em infraestrutura para rodar modelos de IA”. Analistas projetam que, até 2028, os gastos mundiais com data centers vão ultrapassar US$ 3 trilhões.
O impulso vem da expectativa de alcançar a inteligência geral artificial, definida como “modelos melhores que a média humana em tarefas cognitivas”. A lógica do setor é acelerar o gasto: “se investirem devagar e com cautela, é como se não investissem”.
A aposta em escala movimenta não só gigantes da tecnologia, mas também incorporadoras e companhias de energia. A Oracle, por exemplo, viu suas ações dispararem em 10 de setembro após divulgar projeções agressivas para sua nuvem de IA, “transformando por instantes seu presidente, Larry Ellison, no homem mais rico do mundo”.
Mesmo no cenário mais otimista, o resultado seria concentrado: “alguns acionistas terão retornos astronômicos; muitos outros enfrentarão grandes perdas”. A revista observa que parte do mercado já busca alternativas mais eficientes: “adotantes iniciais estão recorrendo a modelos de linguagem menores”.
A adoção pode ser mais lenta do que esperado. Persistem entraves como falhas técnicas, dificuldade em expandir oferta de energia e resistência gerencial. Isso ameaça receitas projetadas e pode reduzir a disposição de financiar novos projetos.
O risco maior está na durabilidade do investimento. “Muito do gasto de hoje pode se mostrar inútil”, já que mais da metade do capital foi para servidores e chips especializados com rápida obsolescência. Ao contrário das ferrovias ou das fibras óticas, o legado físico pode ser limitado.
A revista aponta, porém, que o sistema financeiro é capaz de absorver parte do choque, já que muitas big techs financiam investimentos com lucros acumulados. Ainda assim, alerta que “uma elétrica muito endividada pode facilmente se esticar demais” ao tentar suprir a demanda de IA.
O impacto sobre a economia americana seria imediato. “Por uma estimativa, o boom de IA contribuiu com 40% do crescimento do PIB no último ano”. Um corte em projetos reduziria obras de data centers, empregos e confiança de consumidores, já que “carteiras hoje são dominadas por um punhado de empresas de tecnologia”.
O texto conclui que “quanto maior o boom, maiores os efeitos de um resfriamento da IA”. A aposta trilionária pode abrir um novo capítulo de crescimento, mas também deixar marcas de um excesso de confiança que entrará para os livros de história.
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Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
12.09.2025 08:02Eu investi nessa.