O pessimismo do líder do governo do PT no Senado em relação ao tarifaço de Trump
Jaques Wagner integra uma comitiva de oito senadores que tenta persuadir o governo Trump a não aplicar as sobretaxas
O líder do governo PT no Senado, Jaques Wagner, afirmou nesta segunda-feira, 28, que dificilmente o Palácio do Planalto vai conseguir adiar a imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros, prevista para a próxima sexta-feira, 1º de agosto.
Wagner integra uma comitiva de oito senadores que tenta persuadir o governo Trump a não aplicar as sobretaxas. E, questionado sobre o tarifaço de Trump, Wagner respondeu. “Eu acho que não [é possível adiar]. O que a gente está fazendo é a diplomacia parlamentar. É preciso que os governos se entendam. A gente está aqui para contribuir”, declarou ele.
Para ele, a expectativa para se chegar a um acordo é positiva, “apesar da dificuldade”.
A comissão é liderada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, senador Nelsinho Trad (PSD‑MS). Nesta segunda, os parlamentares tiveram um café da manhã de trabalho na residência da embaixadora Maria Luiza Viotti, em Washington.
Além dos senadores, participaram do encontro representante do Itamaraty, ministros da embaixada e o ex-diretor-geral da OMC, embaixador Roberto Azevêdo.
A reunião de trabalho para evitar o tarifaço de Trump
Viotti relatou que o diálogo com os EUA começou em março, com videoconferência entre o vice-presidente do Brasil e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que levou à criação de um grupo de trabalho técnico bilateral.
Segundo a embaixadora, o Brasil apresentou dados demonstrando que a média efetiva das tarifas brasileiras de importação é de apenas 2,7%, o que desmente a imagem de protecionismo que circulava em Washington.
A embaixadora também informou que há ações judiciais em andamento nos Estados Unidos questionando a legalidade das sobretaxas. Uma delas, movida pela Johana Foods, que importa suco de laranja do Brasil, solicita a suspensão da nova tarifa, e precisa de decisão judicial até 1º de agosto.
Outra ação, mais ampla, conta com apoio de parlamentares e empresas e pode criar um precedente mais robusto. “Sempre há recurso”, alertou Viotti, lembrando que até decisões favoráveis podem ser suspensas por apelação da defesa americana.
“O Brasil quer construir, não confrontar. Estamos aqui para preservar uma relação de 200 anos que é sólida e mutuamente vantajosa”, disse o senador Nelsinho Trad.
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