O “estômago de crocodilo” de Galípolo
Presidente do BC usou metáfora ao comentar sobre política monetária restritiva
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 2, que não é o momento da autarquia se comprometer com sinalizações sobre os próximos passos da taxa de juros, segundo O Globo.
“Ainda estamos discutindo o ciclo de alta e o que vamos decidir. A flexibilidade significa que estamos abertos: vamos chegar à próxima reunião para tomar essa decisão sobre o que fazer”, disse promovido pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP).
Galípolo destacou que a construção da credibilidade do BC depende “do fato de que as suas ações e as suas falas estão coerentes com a percepção da meta.”
“Acho que realmente é um jogo de repetição”, continuou.
Segundo o presidente da autarquia, o grande desafio na economia brasileira é manter a política monetária restritiva, em meio às críticas.
“Talvez mais duro do que a batalha contra as críticas feitas pela elevação da taxa seja essa outra batalha: ter ‘estômago de crocodilo’ e ‘queixo de pedra’ para aguentar o período em que será necessário manter a taxa de juros no patamar restritivo, para ancorar as expectativas e perseguir a meta“, afirmou.
Galípolo disse também que, muitas vezes, é preciso “prescrever uma dose mais forte do remédio para conseguir o mesmo efeito que outros bancos centrais obteriam com uma dose menor”.
“Esse é um tema que temos muito interesse em estudar: entender por quais canais enxergamos essas obstruções na política monetária. Na minha visão, esse é um dos temas centrais, que perpassa toda a política econômica e faz parte dos subsídios cruzados regressivos que existem na nossa economia. É um aspecto geral, que afeta tanto o fiscal quanto a política monetária”.
Copom
Desde que assumiu a presidência do Banco Central (BC), em janeiro, a autoridade monetária vem elevando a taxa básica de juros.
Na primeira reunião sob sua liderança, a autarquia promoveu um aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic, chegando a 13,25%.
Em março, o Copom subiu para 14,25%, destacando a necessidade de ancorar as expectativas inflacionárias.
O último encontro, em 7 de maio, foi marcado por um aumento de 0,5 ponto percentual.
A taxa passou de 14,25% para 14,75% ao ano.
Foi o sexto aumento consecutivo.
A próxima reunião do colegiado está marcada para os dias 17 e 18 de junho.
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