Novos ataques dos EUA ao Irã afetam Ásia e Europa
Nova escalada entre EUA e Irã interrompe alívio nos mercados. Petróleo sobe, Indonésia e Sri Lanka elevam juros. Europa monitora inflação
Os novos ataques dos Estados Unidos contra alvos no Irã na segunda-feira (25) ampliaram a cautela nos mercados globais e interromperam parte do alívio recente provocado pelas negociações entre Washington e Teerã.
O petróleo voltou a subir, investidores reduziram apostas em cortes de juros e bancos centrais passaram a monitorar um cenário de inflação mais persistente.
Os futuros das bolsas americanas avançaram modestamente após sinais de que a Casa Branca ainda tenta manter abertas as negociações com o Irã.
O Dow Jones Futures ampliou ganhos na noite de segunda-feira, enquanto o petróleo recuperou parte das perdas iniciais depois de declarações de autoridades americanas sobre possíveis novas operações militares na região.
O mercado passou a acompanhar cada movimento das negociações de paz entre Donald Trump e o governo iraniano porque qualquer mudança no fluxo de petróleo do Oriente Médio pode atingir diretamente a inflação, o crédito e o consumo nos próximos meses.
Na Ásia, o impacto já aparece de forma concreta. Japão, Indonésia e Sri Lanka passaram a lidar com pressão sobre fluxos de capital, enfraquecimento cambial e aumento dos custos de importação de energia.
O Banco da Indonésia elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 5,25%, acima das projeções do mercado, em uma decisão agressiva para tentar conter a pressão sobre a rupia indonésia diante da volatilidade global.
No Sri Lanka, o banco central anunciou a maior alta de juros em três anos, elevando a taxa Overnight Policy Rate em 1,00 ponto percentual para 8,75%, diante do avanço dos preços ligados à energia e da piora do cenário externo causado pelo conflito.
Na Europa, integrantes do Banco Central Europeu já admitem revisar para cima as projeções econômicas e discutem a possibilidade de novas altas de juros a partir de junho.
O economista-chefe da instituição afirmou que as estimativas de inflação podem subir novamente caso o petróleo permaneça pressionado por um período prolongado.
Os ataques americanos desta segunda-feira aumentaram a pressão sobre ativos ligados à energia e mantiveram operadores atentos a possíveis interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, pode ser bloqueado ou ameaçado pelo Irã, apesar da forte presença militar americana na região.
Analistas alertam que uma escalada maior poderia gerar choques secundários em cadeias de suprimentos globais, afetando especialmente economias emergentes dependentes de importações energéticas.
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