Nota argentina sobe e reduz distância para o Brasil
Com a alta na nota, a Argentina passa a ficar cinco níveis abaixo da classificação brasileira na escala da agência Moody's
A agência de classificação de risco Moody’s elevou nesta terça-feira (21) a nota de crédito soberano da Argentina de Caa1 para B3, com mudança de perspectiva de “estável” para “positiva”.
A decisão colocou a agência americana na mesma direção de seus pares, a Fitch Ratings e a S&P Global, que já haviam promovido upgrades ao país neste ano, as três qualificadoras ficam agora alinhadas em torno do equivalente a B-, nível que não era compartilhado entre elas havia mais de uma década, segundo o secretário de Política Econômica argentino, José Luis Daza.
Em comunicado, a Moody’s afirmou que o risco de calote do país “diminuiu de forma significativa”, já que a fase inicial do ajuste macroeconômico deu lugar a uma melhora mais duradoura dos fundamentos de crédito.
A agência citou o superávit fiscal recorrente, a desaceleração da inflação e a continuidade da liberalização econômica promovida pelo governo de Javier Milei como fatores que reforçam a credibilidade das políticas públicas.
A posição externa argentina também pesou na avaliação: a Moody’s destacou o crescimento das exportações, o aumento do investimento estrangeiro direto nos setores de energia e mineração, e o maior acesso a financiamento externo.
Segundo a Moody’s, o Banco Central acumulou mais de 11 bilhões de dólares em reservas neste ano sem gerar pressões relevantes sobre o câmbio.
A agência projetou crescimento do PIB de 3,4% em 2026 e 3,5% em 2027, e mencionou o Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI), que reúne uma carteira de projetos de 141,7 bilhões de dólares, o equivalente a cerca de 20% do PIB, dos quais 45 bilhões já estão em execução.
Com o upgrade, a Argentina passa a ficar cinco níveis abaixo da classificação brasileira na escala da Moody’s, que mantém o país no patamar Ba1 (Ba1 → Ba2 → Ba3 → B1 → B2 → B3), que teve sua perspectiva revisada de positiva para estável em 2025 em meio a crescentes preocupações fiscais.
Em 2009, o Brasil alcançou notas mais altas, de investment grade, nas três grandes agências de rating, um patamar chave que facilitou o acesso a investimentos externos de investidores institucionais mais conservadores.
Sobre a Argentina, a agência ressalvou, porém, que riscos políticos ligados às eleições de 2027 permanecem como limitação central para a nota, e que as reservas internacionais argentinas ainda não são suficientemente sólidas para resistir a um choque político ou de balanço de pagamentos.
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