Motorista leva bicicleta em suporte traseiro permitido, mas é autuado porque o equipamento encobriu a placa do carro
Veja quando o suporte traseiro para bicicleta exige segunda placa e por que a visibilidade da identificação do veículo faz diferença
Um motorista instalou um suporte traseiro próprio para transportar bicicletas, prendeu a bike corretamente e saiu acreditando que estava dentro das regras. Durante uma fiscalização, porém, descobriu um detalhe que havia passado despercebido: o conjunto escondia a placa traseira do automóvel, situação que exige providências específicas antes de circular.
Transportar bicicleta em suporte traseiro é permitido?
O motorista ficou surpreso porque o suporte não era improvisado. A regulamentação do Contran permite transportar bicicletas na parte traseira externa do veículo, inclusive em dispositivos apropriados instalados diretamente no automóvel ou acoplados ao engate.
A bicicleta deve estar presa com segurança e o dispositivo precisa ser utilizado conforme as instruções de instalação e capacidade. O problema, portanto, não estava simplesmente em levar a bicicleta atrás do carro.
Antes de sair com esse tipo de equipamento, alguns pontos precisam ser observados:
- a bicicleta deve estar firmemente fixada;
- o suporte precisa ser apropriado para essa finalidade;
- a carga não pode ultrapassar os limites permitidos;
- a placa e a sinalização traseira precisam continuar visíveis ou ser adequadamente reproduzidas conforme a regulamentação;
- o transporte não pode comprometer a segurança dos demais usuários da via.
Por que esconder a placa transforma uma instalação permitida em irregular?
Foi nessa parte que o motorista entendeu a autuação. Um suporte pode ser permitido e estar instalado corretamente, mas isso não autoriza que a identificação do veículo desapareça atrás da estrutura ou da própria bicicleta.
Quando o transporte externo encobre total ou parcialmente a placa traseira, a regulamentação exige uma segunda Placa de Identificação Veicular, a PIV, em posição visível. Assim, letras e números continuam identificáveis mesmo com as bicicletas montadas no suporte.
Não importa se apenas uma parte da placa original ficou escondida. Se os caracteres deixam de ter a visibilidade necessária ou a segunda placa obrigatória não está instalada, o veículo pode ser considerado irregular durante a circulação.

Qual pode ser a consequência de circular com a placa encoberta?
Na abordagem, o fato de o motorista ter comprado um suporte próprio para bicicletas não afastou a irregularidade. A Resolução do Contran relaciona o transporte de bicicleta que encobre a placa traseira sem a segunda PIV à previsão do artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro.
Conduzir o veículo sem a placa exigida nessa situação pode resultar em infração gravíssima, com multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e medida administrativa de remoção do veículo, conforme o enquadramento aplicável.
O CTB também trata como irregular a circulação quando os caracteres da placa ficam total ou parcialmente sem condições de visibilidade ou legibilidade. Por isso, deixar apenas um pequeno trecho dos números aparecendo não resolve o problema.
Como deve funcionar a segunda placa traseira?
O motorista imaginou que bastaria fazer uma cópia dos caracteres e prender no suporte. Não é assim. A segunda placa precisa obedecer ao padrão oficial de identificação veicular e às regras aplicáveis à sua emissão e instalação.
Quando necessária para o transporte de bicicletas, ela deve permanecer em local claramente visível, podendo ser instalada na estrutura prevista para essa finalidade. Se o suporte ou as bicicletas também esconderem lanternas e dispositivos de sinalização traseira, pode ser necessária uma régua de sinalização adequada.
Antes de utilizar o suporte, vale verificar:
O que conferir ao usar suporte traseiro para bicicleta?
- 1Se a placa original fica total ou parcialmente encoberta.
- 2Se lanternas de freio e indicadores de direção continuam visíveis.
- 3Se será necessária uma segunda PIV traseira.
- 4Se o conjunto exige régua de sinalização.
- 5Se a segunda placa foi obtida e instalada pelos procedimentos regulamentares.
O que o motorista deveria ter feito antes de viajar com a bicicleta?
Depois da fiscalização, ele percebeu que deveria ter montado todo o conjunto antes da viagem e observado o carro pela traseira. Esse teste simples mostraria imediatamente que a placa havia desaparecido atrás do suporte.
A solução seria providenciar a segunda placa traseira conforme as exigências do sistema oficial e, se a sinalização do veículo também estivesse obstruída, instalar o equipamento complementar necessário. Só então o conjunto estaria preparado para circular nas condições previstas pela regulamentação.
A experiência deixou uma lição importante para quem transporta bicicletas. Comprar um suporte permitido é apenas a primeira etapa. A legalidade depende de como ele fica depois de instalado, com a bicicleta carregada. Placa, lanternas, dimensões e segurança da fixação precisam ser conferidas antes de entrar na via, porque um acessório regular pode gerar autuação quando sua utilização esconde justamente os elementos que a fiscalização precisa enxergar.
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