Moody’s rebaixa nota do BRB: “Alto risco de calote”
Banco de Brasília acumula rebaixamentos das três maiores agências de risco, e busca ao menos R$ 8 bi para recompor patrimônio
A Moody’s rebaixou a classificação de crédito do BRB (Banco de Brasília) de BBB- para CCC+, colocando a instituição no patamar de alto risco de inadimplência. A decisão reflete as perdas acumuladas com ativos adquiridos do Banco Master, cujo impacto financeiro ainda não foi integralmente apurado.
Na avaliação da agência, o banco está “provavelmente perto de default”, caso não receba injeção de capital. “O patamar atual de rating reflete a nossa visão de que a qualidade de crédito do BRB é muito fraca em relação a outras entidades nacionais e provavelmente está perto de default, sem a concretização de um aporte de capital”, afirmou a Moody’s em relatório.
O rating do BRB permanece em revisão para novo rebaixamento, a depender do andamento do plano de recapitalização e das conclusões das investigações em curso sobre as operações com o Master.
Rombo ainda sem dimensão definida
O BRB adquiriu, ao longo de 2025, R$ 12,2 bilhões em créditos que investigações apontam como fraudulentos, originados pelo Banco Master. A instituição não divulgou o balanço referente ao exercício de 2025 até o dia 31 de março deste ano, prazo legal para companhias de capital aberto.
A falta das demonstrações financeiras amplia a incerteza sobre a real situação patrimonial do banco. A Moody’s estima que serão necessários ao menos R$ 6,6 bilhões para recompor o capital mínimo exigido pelo Banco Central. O BRB já opera próximo ao limite regulatório desde 2022.
À Folha, o presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, disse que vai solicitar empréstimos entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões junto a bancos privados. Antes disso, em 24 de março, o banco já havia pedido ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) um empréstimo de R$ 4 bilhões para fins de capitalização.
Três agências, três rebaixamentos
O movimento da Moody’s não é isolado. Em novembro de 2025, a Fitch havia piorado a nota do BRB de B- para CCC. Em 19 de março de 2026, a S&P rebaixou o banco de BB para B-, mantendo-o no grau especulativo, mas com grau de vulnerabilidade maior.
A agência também aponta fragilidades de governança. Os ratings do BRB não incorporam mais qualquer expectativa de suporte do governo do Distrito Federal, controlador da instituição. A Moody’s reconhece aportes feitos em 2024 e 2025, mas avalia que o governo distrital tem capacidade limitada para reunir recursos na escala exigida.
O plano inicial do BRB previa usar ativos públicos e empresas ligadas ao GDF como garantia para captação de recursos. Entraves jurídicos, porém, colocaram essa estratégia em dúvida.
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Comentários (1)
Marcos
02.04.2026 18:17PEGA ESSE DINHEIRO DA CONTA DO EX-GOVERNADOR. LÁ TEM.