México e UE assinam renovação de acordo comercial
Novo texto elimina tarifas agrícolas, facilita comércio de autopeças e incorpora regras sobre propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável
México e União Europeia assinaram nesta sexta-feira, 22, na Cidade do México, a modernização do Acordo de Parceria Econômica, Concertação Política e Cooperação, que há 25 anos liberalizou quase totalmente o comércio de produtos industriais e contribuiu para a quadruplicação das trocas entre os dois blocos, que já ultrapassam os 100 bilhões de euros anuais em bens e serviços.
O Acordo Global Modernizado cobre um amplo leque de setores, que vão do comércio à segurança, passando por imigração, meio ambiente, transição digital e direitos humanos. A UE esteve representada pelos presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enquanto o México foi representado pela presidente Claudia Sheinbaum.
O que muda na prática?
O novo tratado atualiza o pacto original, englobando não apenas bens industriais, mas também serviços, comércio digital, investimentos, compras governamentais e produtos agrícolas — com redução de tarifas em quase tudo. Frango e aspargos mexicanos, além de queijo, leite em pó e carne suína europeia, estão entre os itens beneficiados. O governo mexicano estima que as exportações para a UE possam passar de US$ 24 bilhões para US$ 36 bilhões por ano até 2030.
Resposta a Trump?
Fontes europeias destacam a importância do acordo para a UE que, numa altura em que vê os Estados Unidos a imporem tarifas, consegue ter maior acesso à 12ª maior economia do mundo, com reservas significativas de matérias-primas críticas, forte potencial em energias renováveis e um setor digital dinâmico.
Vale lembrar que este acordo mexicano se soma a outro movimento recente também relevante para a América Latina: o acordo entre o Mercosul e a UE, que após 26 anos de negociações, entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026, unindo dois blocos com PIB combinado de US$ 22,4 trilhões e uma população de 718 milhões de pessoas.
Em conjunto, esses movimentos sinalizam uma reconfiguração significativa das alianças comerciais no hemisfério ocidental diante da postura protecionista dos EUA.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)