Mercados sob pressão do petróleo e tarifas nesta sexta
Pressão de petróleo e tarifas marcam essa sexta. Ásia fecha em forte baixa e futuros de NY tentam recuperação
Os mercados internacionais abriram nesta sexta-feira (24) sob forte influência da escalada do conflito no Oriente Médio e da entrada em vigor de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos a dezenas de países.
As bolsas asiáticas fecharam em queda, com destaque para o Nikkei, que recuou cerca de 2,8% e Kospi, que caiu 5,72%, com as gigantes de semicondutores Samsung e SK Hynix caindo 7,6% e 8,3%, respectivamente.
Já as bolsas europeias operavam mistas após a queda da véspera, e os futuros de Nova York avançavam levemente após a forte realização de lucros da véspera, puxada pelas “Sete Magníficas” do setor de tecnologia.
No radar, o governo Trump passou a cobrar tarifas de 10% a 12,5% sobre importações da maioria dos parceiros comerciais dos EUA, em substituição à tarifa global temporária de 10%. O Brasil foi taxado em 12,5%, com base em investigação sobre trabalho forçado nas cadeias de suprimentos.
No mercado de petróleo, os contratos futuros recuavam nesta sexta, mesmo caminhando para fortes ganhos semanais.
O tipo Brent caía cerca de 4%, cotado perto de 96,70 dólares o barril, após ter fechado acima de 100 dólares na véspera pela primeira vez desde maio. O WTI operava perto de 88,90 dólares, com queda semelhante.
O movimento reflete a tentativa de recuperação após os ataques de rebeldes houthis, aliados do Irã, contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho, que aumentaram temores sobre o fechamento de mais uma rota estratégica de energia.
Analistas do JPMorgan estimam que cada mês adicional de interrupção no fornecimento pode adicionar cerca de 7 a 8 dólares ao preço do Brent, elevando a média mensal para cerca de 114 dólares caso a restrição se prolongue por três meses.
O minério de ferro fechou em queda de 0,13% em Dalian, na China, cotado a 110,14 dólares a tonelada, e o Bitcoin operava em leve queda, negociado por volta de 65 mil dólares, enquanto o Ethereum recuava mais de 1%.
No Brasil, o Ibovespa fechou a última sessão com queda de 0,46%, aos 176.723 pontos, pressionado pela alta do petróleo e pelas tensões comerciais. O dólar encerrou a 5,08 reais, após a alta do petróleo reforçar a demanda por proteção. O iShares MSCI Brazil (EWZ), principal ETF do país negociado em Nova York, também recuava.
Para investidores, o fim de semana traz risco de nova escalada geopolítica, enquanto a próxima semana concentra os balanços das gigantes de tecnologia ligadas à inteligência artificial, fator que deve influenciar o rumo dos mercados nas próximas sessões.
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