Mercado americano atrai empresas brasileiras
Mercado americano atrai cada vez mais empresas brasileiras interessadas em entrar na bolsa. Por que a nossa não está atraente?
Por que o mercado brasileiro de ofertas públicas iniciais de ações deixou de atrair empresas nos últimos anos? O último grande IPO na bolsa brasileira, a B3, foi em 2021 e desde então não houve estreias de peso de empresas abrindo capital por aqui.
O movimento coincide com um período incerteza fiscal, clima político apertado e juros em alta no país, fatores que costumam levar empresas a adiar planos de captar recursos no mercado acionário local.
Enquanto isso, bolsas americanas como a Nasdaq têm registrado um número maior de pedidos de listagem de empresas brasileiras.
Fintechs como o PicPay protocolaram pedidos para abrir capital nos Estados Unidos no começo desse ano sob o código PICS na Nasdaq, repetindo o movimento de companhias que buscam acesso a um universo maior de investidores e a uma praça com mais liquidez.
A diferença entre os ambientes de mercado ajuda a explicar essa tendência. Nos Estados Unidos, o mercado de capitais é muito maior em termos de capital negociado e costuma oferecer avaliações mais interessantes para empresas em crescimento.
Isso atrai companhias de tecnologia e serviços que enxergam valor em estar expostas a um universo de investidores internacionais e a um fluxo constante de oferta e demanda por ações.
No Brasil, além dos juros altos, parte dos investidores e gestores cita problemas institucionais e menor proteção aos acionistas minoritários como desestímulo.
O histórico recente de ofertas que não performaram bem após a estreia e casos de fechamento de capital contribuiu para uma percepção mais cautelosa sobre o que esperar de um IPO por aqui.
O efeito é visível também na busca por reuniões e conversas com equipes da Nasdaq por parte de dezenas de empresas brasileiras interessadas em explorar listagens fora do país.
Há quem acredite que o ciclo de IPOs pode reabrir no Brasil em 2026, mas sendo um ano eleitoral, a rota americana deve seguir mais atraente para muitas empresas que querem levantar recursos maiores e atrair investidores de diferentes mercados.
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