Lula insiste em culpar Campos Neto
"Galípolo está comendo o prato que ele recebeu", disse o petista ao reclamar da taxa básica de juros em 15% ao ano
Depois de Fernando Haddad, foi a vez do presidente Lula (PT) culpar Roberto Campos Neto, que deixou o Banco Central em 31 de dezembro de 2024, pela elevação da taxa básica de juros, a Selic.
“Vocês não pensem que eu me conformo com a taxa de juros a 15%. Esse aumento já estava dado. Na verdade, [Gabriel] Galípolo está comendo o prato que ele recebeu. Não teve nem tempo de trocar de comida. Mas certamente vai trocar”, disse o petista durante o lançamento do Plano Safra 2025/2026 no Palácio do Planalto.
Como mostramos, o ministro da Fazenda havia responsabilizado Campos Neto pela alta dos juros na terça, 24 de junho.
“Essa alta, sendo muito honesto, quem é do ramo sabe, foi contratada na última reunião da qual participou o Roberto Campos, em dezembro [de 2024]. É como se tivesse estabelecido uma contratação futura da taxa. Não dá para dar cavalo de pau em política monetária, vai perder credibilidade. Tem de ter muita cautela”, disse o chefe da equipe econômica em entrevista à TV Record.
Para Haddad, o percentual da Selic está em um patamar muito restritivo.
“Estou preocupado, evidentemente. É uma taxa de juros muito restritiva, muito acima da inflação projetada. Está muito restritiva. Obviamente que as pessoas, naturalmente, se preocupam”, afirmou.
Copom
De fato, a última reunião do Copom presidida por Campos Neto, em dezembro de 2024, contratou duas elevações da Selic de 1 ponto percentual.
Todavia, os aumentos precisavam ser confirmados nas reuniões posteriores, então presididas por Galípolo, ex-número 2 de Haddad no Ministério da Fazenda.
Além disso, foram realizadas mais duas reuniões do Comitê de Política Monetária, que não seguiram diretiva alguma deixada por Campos Neto.
Nas reuniões de 6 e 7 de maio e 16 e 17 de junho, o Copom decidiu elevar a Selic em 0,5 e 0,25 ponto percentual.
Enfim um petista culpando Campos Neto
Campos Neto já se foi há tanto tempo que os petistas nem se animam mais a culpá-lo pelas altas na Selic. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), reclamou, mas sem conseguir atribuir ao indicado por Jair Bolsonaro influência na decisão — como vinha fazendo após as últimas reuniões do Copom.
“Não dá pra aceitar como normal o novo aumento da Selic pelo Banco Central. A taxa de 15% é indecente, proibitiva e desestimula investimentos produtivos. É a transformação do Brasil no paraíso dos rentistas: quem vive de juros ganha, quem trabalha perde”, protestou o petista.
“O Banco Central não pode ignorar o impacto fiscal de sua política monetária. Se dizem que a dívida preocupa tanto, por que a política de juros não considera o custo que ela própria impõe às contas públicas?”, seguiu o deputado federal, sem apontar um culpado específico.
Quem também reclamou sem apontar o dedo para ninguém específico foi a ministra das Relações Institucionais de Lula, Gleisi Hoffmann.
“No momento em que o país combina desaceleração da inflação e déficit primário zero, crescimento da economia e investimentos internacionais que refletem confiança, é incompreensível que o Copom aumente ainda mais a taxa básica de juros”, disse a petista em seu perfil no X, acrescentando que “o Brasil espera que este seja de fato o fim do ciclo dos juros estratosféricos”.
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