JBS obtém aval de acionistas para dupla listagem no Brasil e nos EUA
A expectativa é que os papéis da empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista comecem a ser negociados na Bolsa de Nova York em 12 de junho
A JBS obteve nesta sexta-feira, 23, a aprovação dos acionistas para seguir com sua reestruturação societária e passar a ter ações negociadas simultaneamente nas bolsas do Brasil e dos Estados Unidos.
A operação envolve a criação da holding JBS N.V., sediada na Holanda, e marca um dos maiores movimentos de internacionalização já realizados por uma empresa brasileira de capital aberto.
Com a aprovação, a expectativa é que os papéis da empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista comecem a ser negociados na Bolsa de Nova York em 12 de junho. Os BDRs (recibos de ações) da nova holding estreiam na B3 em 9 de junho, e as ações atuais da JBS deixam de ser negociadas na bolsa brasileira em 6 de junho.
A proposta foi aprovada em assembleia geral extraordinária da JBS e da JBS Participações. A nova estrutura dará à holding na Holanda o controle indireto da JBS S/A. As ações classe A da holding serão listadas como BDRs na B3 e ações ordinárias na NYSE.
Aprovação dividida
Apesar de o resultado final da votação ainda não ter sido divulgado, a companhia confirmou que atingiu a maioria necessária pouco após o início da assembleia.
Antes da reunião, os votos enviados à distância indicavam 271 milhões contrários e 246 milhões favoráveis à proposta, o que gerou tensão entre os investidores.
Consultorias internacionais de governança corporativa, como a ISS e a Glass Lewis, recomendaram a rejeição da proposta. Elas alegam que a criação de duas classes de ações enfraquece o poder de voto dos acionistas minoritários, que teriam apenas um décimo da força dos majoritários.
Pressão política nos EUA
A operação foi aprovada pela SEC (a CVM dos EUA) no fim de abril, mas a empresa enfrenta resistência de parlamentares americanos.
A senadora democrata Elizabeth Warren enviou uma carta aos CEOs da JBS USA e da Pilgrim’s Pride — subsidiária americana da empresa — expressando preocupação com a influência política da companhia.
Segundo Warren, a Pilgrim’s Pride fez a maior doação individual ao comitê inaugural do presidente Donald Trump, no valor de US$ 5 milhões — mais do que Apple, Amazon, Meta e Google juntas. A senadora questiona se a doação teve influência sobre decisões da SEC que favoreceram a JBS.
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