IPCA tem primeira deflação de 2025. Pressão nos preços persiste
Deflação de agosto, de 0,11%, foi influenciada por energia e alimentos. Expectativa é de volta da pressão inflacionária em setembro.
O IPCA registrou deflação de 0,11% em agosto, primeira queda do ano e menos intensa que a projetada pelo mercado, cuja mediana apontava recuo de 0,15%.
Segundo o IBGE, a retração foi puxada por energia elétrica, alimentos e transportes, que juntos subtraíram 0,30 ponto percentual do índice.
A energia elétrica residencial recuou 4,21%, resultado do fim da cobrança extra da bandeira tarifária anterior e de reduções regionais autorizadas pela Aneel.
O grupo Habitação foi o que mais impactou negativamente, com –0,14 ponto. Alimentação e bebidas caíram 0,46%, com destaque para recuos no tomate (–15,88%), batata-inglesa (–9,36%) e óleo de soja (–6,22%).
Transportes tiveram queda de 0,27%, influenciada por recuos na gasolina (–0,79%), passagens aéreas (–9,74%) e automóveis novos (–1,03%).
Já combustíveis como etanol e diesel registraram alta, de 3,02% e 0,96%, respectivamente.
Apesar do resultado, alguns segmentos mantiveram pressão inflacionária. Saúde e cuidados pessoais subiram 0,43%, impulsionados por itens de higiene e medicamentos.
Educação também avançou 0,46%, com reajustes no ensino superior.
Na comparação anual, o IPCA acumula alta de 3,39% nos últimos 12 meses, dentro do intervalo de tolerância da meta do Banco Central para 2025, de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
No acumulado de 2025 até agosto, a inflação está em 2,79%.
A deflação mensal ocorre após estabilidade em julho e foi precedida por uma prévia inflacionária (IPCA-15) que indicava recuo de 0,14% em agosto.
Esse alívio, no entanto, poder ser pontual e condicionado a fatores específicos, como reduções tarifárias e safras favoráveis de alguns alimentos.
Para setembro, o cenário pode mudar. A retomada da bandeira tarifária vermelha nível 1 já está em vigor e deve elevar o custo da energia elétrica.
As passagens aéreas podem a subir com a aproximação de feriados prolongados em novembro e dezembro, e férias escolares, pressionando novamente o índice.
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