IA dá fôlego às bolsas, Brasil aguarda inflação
Petróleo em queda e tecnologia em alta animam investidores mundiais. Brasil mantém o foco na inflação e nos juros
Os mercados financeiros mundiais amanheceram em alta nesta quinta-feira (25), impulsionados por um resultado acima do esperado da fabricante americana de semicondutores Micron Technology.
No terceiro trimestre fiscal, a companhia registrou receita de 41,46 bilhões de dólares, superando estimativas de consenso em torno de 35,7 bilhões, o que reacendeu o otimismo em torno dos investimentos em inteligência artificial e deu novo fôlego às ações de tecnologia mundo afora.
Os futuros do Nasdaq 100 subiram 2,2%, enquanto os do S&P 500 registraram alta de 0,7%. As ações da Micron chegaram a subir 17% nas negociações pré-mercado. Na Ásia, o Nikkei, de Tóquio, avançou 4,69%, com recordes também em Seul, enquanto as bolsas europeias operavam no positivo e Frankfurt subia 0,77%, Paris, 0,44%.
Outro fator que melhorou o humor dos investidores foi a queda do petróleo. O petróleo Brent recuou 1,6%, para menos de 73 dólares por barril, após a normalização do fluxo pelo Estreito de Ormuz.
No Brasil, o dia reservou uma agenda carregada de indicadores que prometem balançar os ativos. Às 8h, o Banco Central divulgou seu Relatório de Política Monetária, que atualiza as projeções de inflação e a trajetória dos juros, em um momento em que os investidores ainda avaliam a comunicação recente da autoridade monetária.
Após a ata do Copom não ter dissipado as dúvidas sobre os próximos passos, o mercado passou a enxergar maior incerteza na estratégia do BC, que reduziu a Selic para 14,25% ao ano na última reunião.
Às 9h, o IBGE divulga o IPCA-15 de junho, prévia da inflação oficial, importante para calibrar expectativas sobre o cenário de preços no curto prazo. No pregão anterior, o Ibovespa havia encerrado em queda de 0,44%, aos 170.506 pontos, enquanto o dólar fechou a 5,20 reais.
Nos Estados Unidos, às 9h30, serão divulgados o índice PCE de maio, o principal termômetro de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, além do PIB do primeiro trimestre e os pedidos semanais de auxílio-desemprego.
Os analistas esperam que o PCE mostre aceleração tanto em relação ao mês anterior quanto ao mesmo período do ano passado, o que poderia reforçar o consenso no Fed em favor de novos aumentos de juros.
Para os mercados emergentes, incluindo o Brasil, esse cenário representa um risco, uma vez que juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar e pressionar as moedas locais.
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