Haddad culpa “extrema-direita” por cancelamento de reunião com secretário dos EUA
O ministro da Fazenda iria se reunir com o secretário americano Scott Bessent, do Tesouro, na quarta-feira, 13
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, responsabilizou as “forças de extrema-direita que atuam junto à Casa Branca” pelo cancelamento da reunião com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, marcada inicialmente para a próxima quarta-feira, 13.
“A militância anti-diplomática dessas forças de extrema-direita que atuam junto à Casa Branca tomaram conhecimento da minha fala, porque eu dei a público que eu ia me reunir como Bessent na quarta-feira e agiram juntos a alguns assessores do presidente Trump e a reunião com ele, que seria virtual na quarta-feira, foi desmarcada e não foi remarcada”, disse chefe da equipe econômica nesta segunda-feira, 11, à Globonews.
O comunicado do cancelamento, disse o ministro, foi enviado por e-mail dias depois do anúncio sobre a reunião.
A conversa não foi remarcada.
“O que fica claro para nós é que a questão comercial não está em foco. Não é essa questão que exigiria de parte a parte sentar à mesa para conversar”, afirmou.
Para Haddad, a situação do Brasil em relação ao tarifaço é diferente dos outros países da América do Sul “porque aqui tem uma força política que está fazendo uma antidemocracia”.
Haddad cita Eduardo
O petista citou nominalmente o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos explorando o ‘tarifaço’ do governo Trump sobre produtos brasileiros para pressionar por anistia ao pai, Jair Bolsonaro.
“O Eduardo [Bolsonaro, deputado federal] publicamente deu uma entrevista dizendo que ia procurar inibir esse tipo de contato entre os dois governos, porque o que estava em causa não era a questão comercial, ele deixou claro isso em uma entrevista pública”, disse.
Quando a comitiva do Senado brasileiro foi aos EUA tentar negociar uma saída para o tarifaço, o deputado disse trabalhar para que eles não encontrassem o diálogo.
“Com certeza não [estabelecer diálogo], e eu trabalho para que eles não encontrem diálogo, porque sei que, vindo desse tipo de pessoa, só haverá acordos daquele tipo meio-termo, que não é nem certo, nem errado”, afirmou.
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