FMI corta projeção de crescimento do Brasil para 2,2%
Fundo também reduz estimativa para 2027, enquanto eleva a previsão da economia mundial em 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano, de 2,4% para 2,2%.
O ajuste consta do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, divulgado nesta terça-feira, 13, em Bangkok, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial. Para 2027, a estimativa caiu de 2,2% para 1,9%.
Juros e incerteza global
Segundo o FMI, as revisões decorrem da política monetária restrita adotada pelo Banco Central para conter a inflação, da retirada de incentivos fiscais e da incerteza internacional. A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75%, após uma sequência de reduções iniciada em março, quando era de 15%.
O custo elevado do dinheiro reduz a oferta de crédito, com efeitos já observados na indústria e no setor de serviços. A Selic influencia empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras, porque encarece a captação dos bancos, que repassam o custo aos clientes.
Ritmo de atividade em queda
A economia brasileira cresceu 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. Em 2026, o ritmo diminuiu: de acordo com os dados oficiais mais recentes, o PIB avançou 0,5% no segundo trimestre, seis décimos de ponto percentual abaixo do resultado do primeiro.
A previsão do FMI para este ano supera as do governo federal, de 2%, e do Banco Central, de 1,8%. Para 2027, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) projeta alta de 2,3%, acima dos 1,9% do Fundo.
Cenário mundial
Para a economia global, o FMI elevou a estimativa de 2026 de 3,0% para 3,1%. Os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) compensaram o encarecimento do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio. Para 2027, a projeção é de 3,4%, com base na hipótese de que o Estreito de Ormuz seja reaberto até março e de que a navegação volte às condições anteriores ao conflito até outubro de 2027.
O Fundo apontou riscos: o fim do ciclo de investimentos em IA, o aumento do endividamento e a continuidade do conflito. Em um cenário adverso, uma queda acentuada nesses aportes desvalorizaria ativos financeiros e reduziria o PIB mundial em 1,1% até 2028, com recuo de 1,8% nos Estados Unidos.
Se a guerra se prolongar e o barril permanecer acima de US$ 130 durante todo o primeiro trimestre de 2027, o crescimento global do próximo ano diminuiria em meio ponto percentual.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, disse que “agora temos uma economia que está apoiada numa única perna: a da inteligência artificial”. Ela questionou: “E se ela vacilar? E se houver decepção e isso acabar levando a um ambiente potencialmente mais difícil?”.
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