Fechamentos de empresas na Alemanha atingem pico em 18 anos
Levantamento aponta alta de quase 10% nos encerramentos de negócios em 2025, impulsionada por custos energéticos e falta de sucessores
Quase 190 mil empresas encerraram atividades na Alemanha em 2025, o volume mais alto registrado no país desde 2007. O balanço foi divulgado na terça-feira, 18, pela agência de crédito Creditreform em parceria com o Centro Leibniz para Pesquisa Econômica Europeia (ZEW).
Ao todo, 187.744 negócios deixaram o mercado, número que representa o segundo ano seguido de crescimento nos fechamentos e fica atrás apenas do recorde de quase 208 mil casos apurado há 18 anos.
Setores de serviços lideram encerramentos
O setor de gastronomia e hospedagem foi um dos mais atingidos: cerca de 15 mil restaurantes, cafés, bares e hotéis fecharam as portas, alta de 15% frente ao ano anterior.
Na área da saúde, quase 11 mil estabelecimentos encerraram operações — patamar próximo do dobro registrado em 2008. Consultórios médicos somaram cerca de 5.500 fechamentos, aumento de 23% sobre 2024.
A indústria também sentiu o impacto: aproximadamente 11 mil empresas do setor deixaram de funcionar, 10% a mais do que no ano anterior.
Segundo Patrik-Ludwig Hantzsch, diretor de pesquisas econômicas da Creditreform, o movimento não se restringe mais a companhias em dificuldade: “A dinâmica da crise está se espalhando por praticamente toda a economia. Diferentemente do que ocorria no passado, agora até empresas saudáveis estão desistindo de continuar suas atividades”.
Falência não é a principal causa
Apesar do volume elevado de encerramentos, a maioria não decorreu de insolvência formal. De acordo com a pesquisadora do ZEW Sandra Gottschalk, apenas 13% das empresas que saíram do mercado em 2025 passaram por processo de falência — a maior parte optou por encerrar as operações de forma voluntária.
Um dos fatores centrais é a idade dos proprietários. Quase um terço dos fechamentos voluntários teve como motivo a aposentadoria sem substituto para tocar o negócio. “Cada vez mais empresas fecham porque seus donos se aposentam e não encontram quem dê continuidade ao negócio”, afirmou Gottschalk, acrescentando que essa proporção é bem superior à observada há dez ou 15 anos.
O estudo também menciona fatores externos, como tensões comerciais internacionais e o custo elevado de energia, como elementos que se somam à escassez de mão de obra qualificada e à burocracia para pressionar o ambiente de negócios no país.
Hantzsch descreve o cenário com a expressão alemã “Krisenzange”, termo usado para indicar uma pressão simultânea de duas frentes sobre empresas e trabalhadores.
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