Ex-presidente da CVM foi alvo de ameaças?
Oficialmente, João Pedro Nascimento deixou o cargo um ano antes do final do mandato por "motivos pessoais"
João Pedro Nascimento (foto), ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que renunciou ao cargo em 18 de julho, teria dito a integrantes do governo Lula que foi alvo de “ameaças” para deixar o cargo, publicou O Globo.
Oficialmente, ele deixou o cargo um ano antes do final do mandato por “motivos pessoais”.
Nascimento não revelou quem o ameaçava, mas disse que tinha prazo para deixar a CVM.
Ao jornal, ele reafirmou ter deixado a autarquia por razões pessoais.
“O meu ciclo como presidente da CVM foi encerrado em 18/7/2025, por razões pessoais, conforme nota divulgada no site da autarquia. Qualquer motivação diferente desta é improcedente e especulativa.”
Reviravolta no caso da Ambipar
A saída de João Pedro Nascimento da CVM provocou uma reviravolta no processo da Ambipar, companhia de gestão ambiental que tem o empresário Nelson Tanure como acionista.
Depois de pedir vista para avaliar o caso, o diretor Otto Lobo, que assumiu interinamente a presidência da CVM, votou duas vezes no processo em 20 de julho, anulando o voto que Nascimento já tinha dado em uma decisão inédita.
Com o voto, a CVM contrariou a recomendação da área técnica e acatou um recurso dos acionistas da Ambipar, que não querem ser obrigados a fazer uma oferta pública das ações ao resto do mercado.
Os técnicos da autarquia apontam que fundos com participação de Tanure e do Banco Master teriam atuado em conjunto com o controlador da Ambipar, Tercio Borlenghi Junior, para comprar ações e forçar uma alta de 863% no valor dos papéis entre junho e agosto de 2024.
Ligados ao Banco Master e à Tanure, os Fundos da Trustee DTVM elevaram juntos sua fatia na empresa de 6,6% a 15,03% entre junho e agosto.
O controlador da Ambipar, por sua vez, saiu de 66,7% para 73,48%.
Devido ao movimento, o banco Master conseguiu elevar seu patrimônio.
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