Estatais bancam palcos para Lula discursar
Levantamento mostra elevação considerável de gastos das empresas públicas com patrocínios, inclusive para eventos nos quais o petista discursa
O fato de Lula (foto) usar as estatais em benefício próprio não é novidade, mas a Folha de S.Paulo compilou os gastos de empresas públicas como os Correios e a Petrobras em patrocínios a eventos nos quais o petista discursou em seu terceiro mandato presidencial.
O jornal chamou a atenção para a ExpoCatadores promovida em dezembro de 2023, que teve patrocínios de BNDES (200 mil reais), Caixa Econômica Federal (300 mil reais), Itaipu (450 mil reais), Sebrae (250 mil reais) e do Conselho Nacional do Sesi (250 mil reais).
Lula discursou no último dia do evento, no qual participou do Natal dos Catadores, mas não compareceu à edição de 2024, por causa da cirurgia de emergência na cabeça.
Naquele ano, os patrocínios estatais se repetiram, ao contrário do que tinha ocorrido em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, quando a ExpoCatadores contou apenas com dinheiro de financiadores privados.
Haja patrocínio
A Folha registra o seguinte na sequência da reportagem:
“A Caixa repassou R$ 300 mil para a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, em 2024. O Banco do Brasil patrocinou a Conferência Nacional de Segurança Alimentar (R$ 150 mil), em 2023, e as conferências de Ciência, Tecnologia e Inovação (R$ 1 milhão) e de Cultura (R$ 1,5 milhão), em 2024. Lula discursou em dois desses eventos: no de cultura e no de ciência”.
No caso da Caixa, por exemplo, o jornal registra o total de 332,2 milhões de reais em patrocínios em 2024. É quase três vezes mais do que os 121,7 milhões de reais de 2023 e quase seis vezes mais do que os 58,7 milhões de 2022, último ano do governo Bolsonaro.
No caso dos Correios, o salto na comparação com o governo Bolsonaro é ainda maior. Em 2024, a empresa pública, que passa por graves problemas financeiros, gastou 33,8 milhões de reais em patrocínios. Em 2022, não foram mais de 300 mil reais.
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República disse em nota que “não há que se confundir as competências institucionais da Secom com ingerência na política de empresas estatais ou sobre execução orçamentária ou estratégias específicas de patrocínio, que são definidas de forma autônoma por cada empresa”.
Mas quem está confundindo as coisas é Lula.
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