Estados Unidos, Brasil e mais de 130 países se unem em acordo financeiro histórico para taxar lucros bilionários das multinacionais

06.10.2026

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Estados Unidos, Brasil e mais de 130 países se unem em acordo financeiro histórico para taxar lucros bilionários das multinacionais
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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 13.06.2026 09:43 comentários
Economia

Estados Unidos, Brasil e mais de 130 países se unem em acordo financeiro histórico para taxar lucros bilionários das multinacionais

A reforma mira empresas gigantes e tenta reduzir o incentivo para deslocar lucro a jurisdições de baixa tributação.

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Estados Unidos, Brasil e mais de 130 países se unem em acordo financeiro histórico para taxar lucros bilionários das multinacionais
Estados Unidos, Brasil e mais de 130 países se unem em acordo financeiro histórico para taxar lucros bilionários das multinacionais

O imposto mínimo global incomoda porque atinge uma engrenagem silenciosa: lucros bilionários podem circular por países onde quase não pagam tributo. A reforma da OCDE tenta reduzir essa fuga ao criar um piso internacional de 15%.

Por que esse acordo mexe com tanto dinheiro?

Grandes multinacionais conseguem operar em vários países, vender em mercados enormes e registrar parte dos lucros em jurisdições de baixa tributação. A consequência é simples: a empresa cresce onde há consumidores, estrutura e mão de obra, mas paga menos onde a riqueza foi gerada.

A proposta do imposto mínimo global tenta mudar esse incentivo. Se uma empresa dentro do escopo paga menos que 15% em determinada jurisdição, regras coordenadas podem exigir um tributo complementar.

Estados Unidos, Brasil e mais de 130 países se unem em acordo financeiro histórico para taxar lucros bilionários das multinacionais
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O que a OCDE propôs nessa reforma tributária?

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico articulou uma solução de dois pilares para enfrentar desafios fiscais da digitalização da economia. O Pilar Dois é o eixo ligado à tributação mínima de grandes grupos multinacionais.

Os pontos centrais da reforma são:

●
Criar um piso de tributação efetiva de 15% para grandes multinacionais.
●
Reduzir o incentivo para deslocar lucro a paraísos fiscais.
●
Permitir tributo complementar quando a carga efetiva fica abaixo do piso.
●
Coordenar regras nacionais para evitar disputas tributárias desconectadas.
●
Proteger bases fiscais de países onde as empresas realmente operam.

Como isso atinge multinacionais na prática?

A regra mira grupos de grande porte, não pequenos negócios. O desenho técnico considera empresas multinacionais com presença internacional relevante e calcula a tributação efetiva por jurisdição, em vez de olhar apenas o lucro global de forma agregada.

Algumas situações que entram na lógica da reforma são:

  • Empresa registra lucro elevado em país de tributação muito baixa.
  • Grupo multinacional usa estruturas internas para deslocar resultado contábil.
  • País onde a operação ocorre perde arrecadação enquanto suporta infraestrutura.
  • Concorrentes locais pagam mais impostos que gigantes globais.
  • Governos disputam empresas oferecendo alíquotas cada vez menores.

Qual é o papel do Brasil nessa mudança?

O Brasil avançou na adaptação às regras globais por meio do Adicional da CSLL. A Receita Federal informou que a tributação mínima foi introduzida no país pela Lei nº 15.079/2024, como mecanismo doméstico qualificado.

Na prática, isso permite ao país preservar prioridade sobre a cobrança de grupos multinacionais sujeitos a baixa carga tributária no território brasileiro. A lógica é impedir que outro país capture o tributo complementar antes do Brasil.

O que muda para empresas, governos e consumidores?

Para empresas, a mudança aumenta custo de conformidade, exige cálculos sofisticados e reduz o ganho de estruturas puramente fiscais. Para governos, a promessa é recuperar parte da arrecadação perdida com planejamento tributário agressivo.

Algumas leituras ajudam a entender o impacto:

Sinal Leitura Ação
Lucro em país de baixa tributação A empresa concentra resultado onde paga pouco.
A regra pode acionar imposto complementar até o piso de 15%.
Revisar estrutura fiscal
Operação relevante no Brasil Há atividade econômica local dentro do grupo.
O adicional doméstico pode proteger a base tributária brasileira.
Mapear entidades locais
Benefício fiscal agressivo A carga efetiva cai abaixo do mínimo global.
Parte da vantagem pode ser neutralizada pela tributação complementar.
Calcular alíquota efetiva
Regra bem implementada O país cobra antes de outras jurisdições.
A arrecadação fica mais próxima do local onde a atividade ocorre.
Acompanhar regulamentação

Por que o acordo é chamado de histórico?

Ele é histórico porque tenta colocar um limite coordenado em uma disputa que durou décadas: países baixando impostos para atrair sedes formais, enquanto multinacionais organizavam estruturas para reduzir a tributação global.

O imposto mínimo global não acaba com paraísos fiscais de uma vez, nem elimina toda competição tributária. Mas muda o cálculo: se o lucro bilionário paga pouco demais em um lugar, outro país pode tentar cobrar a diferença.

Estados Unidos, Brasil e mais de 130 países se unem em acordo financeiro histórico para taxar lucros bilionários das multinacionais
Estados Unidos, Brasil e mais de 130 países se unem em acordo financeiro histórico para taxar lucros bilionários das multinacionais

Leia também: Motorista que não conhece o art. 208 do CTB pode tomar multa no farol sem nem perceber

O que ainda pode travar a reforma?

A implementação depende de leis nacionais, regulamentação, acordos técnicos e coordenação entre administrações tributárias. Além disso, países grandes podem negociar exceções, simplificações ou formas próprias de compatibilizar suas regras internas.

A reforma da OCDE é menos um botão único e mais uma engrenagem internacional. Seu efeito real vai depender de como Brasil, Estados Unidos, União Europeia e outras jurisdições aplicam, fiscalizam e ajustam o sistema nos próximos anos.

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