Empresas dos EUA fazem apelo contra tarifaço sobre o Brasil
Coca-Cola, Tesla e eBay pedem ao governo americano que produtos brasileiros fiquem fora de nova taxação
Grandes empresas americanas enviaram no dia 1º deste mês manifestações formais ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos, contra a aplicação de tarifas sobre mercadorias vindas do Brasil.
Entre as signatárias estão a fabricante de bebidas Coca-Cola, a montadora Tesla, comandada por Elon Musk, e a plataforma de comércio eletrônico eBay.
As empresas alegam que a medida encareceria insumos e prejudicaria cadeias de produção instaladas em território americano. Ao todo 365 manifestações — de empresas, associações e cidadãos — chegaram ao Departamento de Comércio sobre o assunto.
Bebidas e veículos elétricos entre os pedidos
A Coca-Cola solicitou a manutenção da isenção tarifária para a laranja brasileira e pediu tratamento semelhante para o limão, usado em suas fórmulas. A empresa argumentou que a cobrança adicional “poderia provocar interrupções nas cadeias de suprimentos” e elevar custos de fabricação no país.
O Brasil é o principal fornecedor de suco de laranja congelado aos americanos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com exportações que somaram R$ 139 bilhões em 2026. Para o limão, os EUA aparecem apenas na 15ª posição entre os destinos do produto brasileiro.
Já a Tesla afirmou depender de componentes fabricados no Brasil, mesmo após ter investido valores bilionários em fornecedores nos Estados Unidos. Segundo a montadora, “certos insumos críticos ainda não podem ser obtidos nos Estados Unidos na escala e com a qualidade necessárias para sustentar uma manufatura americana competitiva”. A empresa defendeu medidas mais específicas em vez de tarifas amplas sobre as importações.
Mercado de usados também se manifesta
O eBay, por sua vez, encaminhou um documento de treze páginas pedindo isenção para produtos usados de origem brasileira comercializados na plataforma. A companhia sustentou que a taxação geraria custos fixos de importação capazes de superar o próprio valor das mercadorias, tornando inviáveis operações de pequenos revendedores americanos.
De acordo com a empresa, o efeito prático seria contrário ao pretendido: consumidores tenderiam a substituir produtos usados por itens novos e importados, muitos deles também fabricados no Brasil. O eBay ainda argumentou que taxar bens de segunda mão não pressiona fabricantes brasileiros, já que estes já haviam recebido pelo produto no momento da venda original.
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