Durigan quer discutir ajuste fiscal com Pedro Malan e Arminio Fraga
Ministro tenta aproximação com economistas da era FHC em meio a pressão sobre juros da dívida pública
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, articula encontros com Pedro Malan e Arminio Fraga, nomes que comandaram a área econômica no governo Fernando Henrique Cardoso, para colher avaliações sobre os rumos da economia no terceiro mandato de Lula.
Segundo O Globo, a intenção é que as conversas aconteçam ainda em agosto, no Rio de Janeiro. Até o momento, porém, nenhuma data foi confirmada, já que Malan e Fraga demonstram certa relutância em participar dos encontros.
Os dois economistas ficaram associados a uma gestão pautada pelo combate rígido à inflação e pela busca de equilíbrio nas contas públicas, além da consolidação do Plano Real.
A movimentação de Durigan em direção a esse grupo já havia começado nesta semana, em São Paulo, com uma reunião com Marcos Lisboa, que ocupou a Secretaria de Política Econômica da Fazenda entre 2003 e 2005.
De acordo com interlocutores do ministro, o objetivo é manter canais abertos com economistas de correntes distintas, incluindo os que dialogam habitualmente com o Partido dos Trabalhadores (PT).
Juros da dívida preocupam governo
Durante evento do setor de saúde nesta quarta-feira, Durigan classificou como problemática a taxa de juros de longo prazo cobrada do Tesouro Nacional para renovar a dívida pública: “O Tesouro Nacional, que é a instituição que tem mais condição de pagar uma emissão de título no país, tem hoje uma taxa muito grande para pagar, em especial no longo prazo. Isso é inaceitável”, disse.
Segundo dados citados pelo ministro, a taxa de juros implícita da dívida bruta somou 13,2% em 12 meses, patamar mais alto desde novembro de 2016. O índice, calculado pelo Banco Central, reflete o custo total do endividamento público e considera títulos atrelados à Selic, prefixados, corrigidos pela inflação e cambiais.
Durigan afirmou ainda que o país tem pela frente uma “grande milha final” para alcançar estabilidade fiscal sustentável. “O papel do governo brasileiro é seguir avançando, sem arroubos, sem achar que tem bala de prata”, declarou.
O ministro também informou que o governo pretende levar ao Congresso Nacional, no esforço concentrado previsto para a semana de 31 de agosto a 4 de setembro, a votação da medida provisória que extinguiu a cobrança de 20% sobre compras internacionais, conhecida como “taxa das blusinhas”.
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